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Archive for December of 2007

Revival

December 24, 2007
"Eu te explico em mil palavras o que é vulgívaga
pingos de chuva: são teus?
para onde existem gabis brancas, para onde as gabis todas são azuis-anil.
gotas de pequena água, gotas de janelas, janelinhas: são tuas?
para onde as gabis só usam roupas de boneca, profusão de sardinhas: tuas, tuas perninhas? sutiãs elásticos: são teus? vidrnhos de perfume, vidrinhos de essênciazinha das gabis que vieram do sul, são teus esses caminhos?
para onde existem gabis bigodudas, para onde as gabis todas só pensam em churrasquear, chimarrear, Ilex Paraguaiensis, é tua essa bombachinha, meu amor?
gotas de pequena chuva, a cidade é tão tua, a cidade é tua mão, teu sufoco, teu prazer: são teus os mil orgasmos, terra de ruas, Riachuelo, Alagoas, são tuas as mãozinhas, os olhinhos apertados são teus?
onde por acaso as gabis todas existem em vitrines, para um local onde as gabis vivem solidificadas em museus, para onde as gabis transidas, as gabi paradas, as gabi plastificadas no âmbar - gabis mudas, gabis surdas - cerzidas com seda e turbantes, geladas, imemoriais.
são teus esses dentinhos? de onde surgiram batalhões de gabis, batalhões suaves de gabis insetívoras, intrépidas, para onde as gabis jantam folhas de chicória, para onde a firmeza dos músculos abdominais, para onde a legião de gabis se exaspera, calcinhas, joaninhas - gabis fartas, gabis férteis - para onde o acúmulo de tinta seca em pincéis, o acúmulo de amor nos teus delírios - gabis patas, gabis putas - para onde as luas refletem as tuas mãçãs do rosto e o céu indaga: são teus os negocinhos de comer sushi?
para uma nova avaliação das gabis, para uma gabi-glória do futuro, para um estudo dos mecanismos que subjazem à superfície da gabi, para um novo respirar em gabidutos, para um entristecer-se em gabicurvas, gabi-chuvas, brancas, brancas: são teus esses creminhos de passar no rosto?


gabídrico, gabifílico, gabólido, gabíssimo: são teus esses ingressos para o show? "
Ygor Raduy - 2004

para o fim de semana

December 21, 2007
Gábi dit:
vamos fazer uma performance?
picega@hotmail.com dit:
de dança?
Gábi dit:
podemos nos vestir de tule e percorrer os bares de londrina mandando beijos sobre os ombros
picega@hotmail.com dit:
acho que a gente deveria fazer plaquinhas de "Free Hugs" e abraçar as pessoas da noite!
Gábi dit:
muito hippie.
Gábi dit:
vamos fazer algo mais acadêmico?
podíamos recitar nietzsche em várias línguas, correr pelados e escrever um aforismo no corpo
mas tem que ser o mesmo aforismo - um pedaço do aforismo em cada um de nós
picega@hotmail.com dit:
quero isso
Gábi dit:
eu quero que seja o 370
da Gaia Ciência
tem alguma preferência?
picega@hotmail.com dit:
não...
sou aberta
Gábi dit:
se bem que humano demasiado humano tem mais a ver com a intenção da performance
Gábi dit:
ixi, vamos ter que criar um grupo de estudos para definir o aforismo. o que vc acha?
picega@hotmail.com dit:
Ou uma tese de doutorado
picega@hotmail.com dit:
"O conceito de aforismo: A liberdade de expressão físico-corporal na manifestação cultural-popular da afornidade nietzschiana"
Gábi dit:
As variações do corpo: multiplicidade ontológica por uma estética da existência nietzschiana na pós-modernidade
picega@hotmail.com dit:
não obrigado, prefiro meu café com torradas, muito mais saboroso e sábio. tchau

Nós no Orkut

December 19, 2007


Personalidades, personagens, pseudônimos, anônimos, blogueiros, jornalistas, czaristas, violinistas, direitistas, esquerdistas, alienistas, todos os tipos se encontram neste mais acessado, mais bem escrito, encenado, iluminado, maquiado e interpretado portal de blogs, agora com versão orkuteira.
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Os lugares do Nome - Deslocamentos

December 14, 2007
Ação realizada dia 3 de dezembro de 2007 na oficina de Yuri Firmeza "Deslocamentos na arte Contemporânea" da Funarte no Museu de Arte de Londrina. Surpresinha: no final do vídeo há uma participação especial de uma figura tão lendária quanto o Nego Bala.


nosso nome, uma herança imposta
eterna e compulsória
coleira abstrata costurada na carne.

fiquei uma noite inteira pensando nisso:
a multiplicidade de eus que cada um de nós carrega é subjugada à rigidez fixa de um nome?

meu nome é tão livre quanto qualquer coisa viva. meu nome não é fixo, eu pensava.
para me tranquilizar tracei a história do meu nome mentalmente:

sou pelo menos dois lugares:
Canale - cidade italiana
Miola - uma rua também na Itália


Da mistura de italianos com italianos veio uma Gabriela brasileira.
Gabriela?
Minha mãe desmente, mas eu acredito que escolheu Gabriela por conta da obra do Jorge Amado que a época do meu nascimento tinha uma versão televisiva.

A sensual "Gabriela, Cravo e Canela" da literatura brasileira e o nome dos lugares italianos.
Meu nome tem muitos espaços escondidos nestes dois lugares.
E eu sempre os refaço.

Os amigos me chamam Gábi por insistência. Sou gaúcha, lá Gabriela é Gábi.
Do Paraná pra cima, todo brasileiro chama Gabriela de Gabi, que para mim soa tão feio e artificial como Barbie.

Inventei, portanto, o meu nome afetivo capaz de me fazer sentir pröxima a minha cidade natal: Gábi.
Inventei uma versão jornalística: Gabriela Canale.
Esta é a mesma que uso para assinar artigos, quadros e filmes.

A cor de canela da Gabriela do escritor misturada à alvura extrema da minha pele quase italiana faz e refaz os lugares que eu carrego e recrio.

Toda vez que você lê meu nome tenho a sensação de que me lê diferente.
Quem me ama lê uma Gabriela feliz, quem tem rancor lê uma outra, misturada e escura.

Meu nome é mutante.
Quando descobri que as palavras que constam em todos meus documentos e que eu vou ouvir pelo resto da minha vida são fluidas, juro que fiquei em paz.
Saber que levamos nossos lugares e recriamos nossos nomes me deu orgulho de todos meus amigos: artistas de si mesmos.

Me conta?
Quais os lugares do seu nome?
Vamos montar uma genealogia cartográfica dos nossos lugares?