"Antigamente, as redações tinham máquinas de escrever. Era um barulho infernal. Tenho até uma teoria para explicar essa mudança da esquerda para a direita nas redações. Nos últimos anos, os jornais e as revistas brasileiras deram uma guinada à direita. Mas, quando comecei no jornalismo, todos nós éramos de esquerda. A gente aceitava o fato de ser direita quando era do editor pra cima. Hoje, é o contrário. Do editor pra baixo, os jornalistas preferem ser de direita."
Luis Fernando Veríssimo no I Salão do Jornalista Escritor.
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ARTHUR BARRIO
pela restauração da aura romântica da arte
“Estou criando um racha com a tradição milenar pitagórica, que diz que a obra está no centro e o espectador está ao redor e que, portanto, a obra é feita a partir da observação do espectador”.
Dica: a entrevista
"A insubordinação de Artur Barrio" de Paula Alzugaray com ARTHUR BARRIO, que se autointitula "artista lugar nenhum".
STEEPLECHASE
Em colaboração com Freundenthal/Verhagen, Jason Wallis-Johnson & Oscar Süleyman, 2004.
Mais em *
Jenny Holzer propõe intervenções efêmeras na arquitetura, entre dezenas de outras brincadeiras com palavras e formas.
Vale a pena investigar.
para Miguel Vieira (mestre)
Acabo de voltar do Distrito Espírito Santo. No caminho, seo Antônio me guia em uma cidade desconhecida.
Paisagem verde e vermelha.
Na escola, crianças entre 9 e 14 anos. Eles são pequenos, menores que eu, que já vim em embalagem individual. Estranho o tamanho e os jeitos, desconfio.
Porque quando eu tinha 12 anos era tão dona do mundo. Me acha grande, imensa e poderosa com minhas poesias no caderninho da Hello Kitty, os meninos que queriam me namorar na escola estadual. Mas ao mesmo tempo era tão frágil e pequena na janela do 8º. andar entre meus amigos burgueses.
A merenda de arroz e feijão às 10h30, a falta de grana pra comprar uniforme e as roupas de marca, viagens a Disney e outras anomalias do consumo foram paisagens que me fizerem ser este caminho do meio. VER o que o poder de consumo oferece, TER o que o poder afetivo oferece.
Repito: acabo de voltar do Distrito Espírito Santo = passagem secreta para dentro da minha infância.
Falei sobre animação, doei livros a respeito.
Foram umas 100 crianças que me ouvira e assitiram depois do arroz e feijão. Fortes, prestativas, inquietas.
Esta um hora com eles me deu mais que um ano de especialização em literatura brasileira modernista e que meu projeto de doutorado.
Mas sempre há a sensação de que se oferece pouco, muito pouco.
Toda vez que saio de um lugar destes é um misto de felicidade e sensação de vazio. Falta algo. Ações pontuais não tem sentido pleno para mim. Talvez eu volte.
Voltando pra minha casa, na minha Londrina verde e cinza, um papeleiro arruma seu carrinho em frente ao prédio onde moro. Com o cuidado de adulto com computador importado ele guarda um quadro de uns 80 x 100 cm.
- tem que dar um jeito para não estragar.
- verdade, é frágil, né – respondo ainda com o ar do distrito.
Fria, pensando no DVD virgem que tinha que comprar, atravesso a rua.
Do outro lado vejo no reflexo do supermercado que eu era uma mulher chorando.
Imaginar o quadro na parede daquele homem em uma casa de madeira congelou algo em mim.
Pensei em todas as maravilhas e perversidades que a arte já me deu. Em tudo aquilo que fui, vi e senti, em todas as personas que as artes me deram, nas milhares de Gabrielas que pude ser e sou.
Chorei mais.
Depois ri sozinha tomando a amostra de lançamento da Coca-Cola:
- não é refrigerante, nem água e tem 0 calorias.
- tem sais e vitaminas?
- humpf.
Ri sozinha porque descobri que não sabia se chorava pela emoção ver aquele homem abrindo uma porta para um mundo maravilhoso que eu conheci, ou pela consciência de que o quadro que ele levava era feio, muito feio.
O
Marketing de Guerrilha é um blog sensacional que coleta informações em todos os cantos do mundo.
O site é atualizado pelo Bambuzada Team, "grupo de guerrilheiros com a missão de disseminar a todos os profissionais de marketing táticas e conceitos de marketing de guerrilha", como se definem.
Marketing de Guerrilha é bem mais divertido que o Tipos.
Duvida?
Clica aqui pra ver como é verdade.
para basquiat - grande mestre da sinceridade
Eu tenho trocado poesia
pelo release.
Pode?
Tenho sido aquela perícia maquinal
e a descoberta dos meandros de rádio, TV, jornal:
dia de pauta, linha fina,
nota pelada, lapada, VT.
As diferenças entre tudo isso?
– formato apenas.
Eu escrevo e reescrevo releases
e encaixoto os desassossegos do Pessoa.
Um pedaço de mim acha triste.
Melancólico.
Um eu que ainda acredita no poder do
egocentrismo dos poetas românticos acredita que deixa escapar
o que a vida realmente é na agilidade dos dedos do teclado.
Um outro, pragmático, se sente rijo, ágil.
E agora, a mulher que tem uma manhã de ócio depois de tantas de
loucura pragmática,
quer uma tela em branco, um pincel, a Chacona de partitura no. 2 em Ré menor
nela, quer pintar pedaços de releases mal escritos,
fotos em alta resolução anexadas,
trechos de filmes editados para VTs,
plugs de projetores,
títulos chamativos e
a ânsia de saber a cor ilegal que não sente mais.