para você cortar
do limbo, esta surpresa
almoço no vegetariano
olho o prato colorido e agradeço
finjo que rezo antes de comer
sempre sento no fundo
atrás da coluna
quero ser sozinha
depois ouço vanessa da mata
e vejo Londrina do alto
ao meu lado, música evangélica
(faço isto toda tarde e tantas outras coisas mínimas e secretas)
fico feliz no ar condicionado
adoro trabalhar com gente jovem
- sem hierarquias surreais -
gosto de música com cordas
tomo chá verde sem adoçante
converso pelo MSN com quem está ao meu lado
adoro japoneses:
os silêncios
a precisão
a timidez
eficientes e quietos
quando saio vejo o relógio da Sercomtel que marca há um mês uma hora ilegal
e um milhão de pombas sujas voando
tenho uma vontade louca de ser vento
entrar num metrô, sair em Palermo
O tempo
sempre
e’ o algoz
e a vitima.
E eu,
O cretino moribundo
Que falseia
De bar em bar
De bibliografia em bibliografia
De mentira bela
Em mentira bela
Uma verdade escondida.
Me ignore.
Me mutile.
Me almadicoe
Nao interessa.
Sempre resta soberbo e soberano o arredor
Aqui está o vídeo
RE(DE)GENERE com
qualidade melhor e outros detalhes mais. O filminho faz parte da arteinstalação que montei com apoio da
Asociação Livre para o evento “Memórias do Nazismo: 70 anos da Exposição Entartete Kunst (Arte Degenerada)” que acontece hoje e amanhã na UEL:
RE(DE)GENERE
Vídeo que integra a arte instalação que montei com apoio da
Asociação Livre para o evento “Memórias do Nazismo: 70 anos da Exposição Entartete Kunst (Arte Degenerada)”
Há mais de um mês filmes, livros, sites, fotos e memórias do Nazismo fazem parte do meu cotidiano.
Por cinco semanas convivi com as piores cenas que já vi.
As imagens em si são absurdamente chocantes, mas o que me deixa mais perplexa é o plano que as conecta.
GENIALMENTE CRUEL.
Uma orquestração milimétrica de intolerância, megalomania e obstinação com respaldo de milhões de pessoas que subjugaram outras milhões.
Não é o tamanho do empreendimento nazista que assusta, mas a forma com que ele se alastrou.
EUGENIA A TODO PREÇO.
O preconceito e a intolerância coletivos estimulados foram o respaldo suficiente para que esta idéia ascendesse.
Preconceito e intolerância – duas palavras usadas a exaustão pelos movimentos de paz, de Ongs e etc. Parecem abstrações politicamente corretas.
Mas não são. São tão palpáveis quanto o nosso uso cotidiano da frase “isso é coisa de....”.
Uma generalização repetida mil vezes é mais do que uma verdade, é uma potência de marginalização e destruição.
Quando penso nisso lembro das fotos dos passaportes dos meus 8 bisavós italianos. Cansados e assustados.
Todos eles deixaram sua língua e sua terra originais na escuridão da I Grande Guerra. Eu sou fruto da explosão desta potência de exclusão - minha árvore genealógica guarda esta mancha dolorosa.
A arte nazista (=propaganda) criou um simulacro do universo “ideal” composto por uma única verdade, estética e raça. Milhares de obras foram destruídas, artistas foram mortos, expulsos e outros tantos se suicidaram.
Em 2007 completa-se 70 anos da exposição “Arte Degenerada” realizada em Munique. A mostra de cerca de 650 obras modernistas tinha como objetivo comparar os artistas modernos a doentes mentais e definir a arte deles como reflexo de problemas psiquiátricos que deveriam ser excluídos da sociedade. Visitada por mais de 3 milhões de pessoas a “Arte Degenerada” foi um dos primeiros eventos modernos a reunir um número tão elevado de público.
Isso tudo se transformou na arteinstalação Re(de)genere que acontece na Sala de Eventos da Universidade Estadual de Londrina nesta quarta e quinta das 9h às 21h dentro do evento “Memórias do Nazismo: 70 anos da Exposição Entartete Kunst (Arte Degenerada)”. Entre os elementos que compõe a exposição está a videoarte homônima que dá pra ver naquela janela do youtube lá me cima. Clique e veja.
Promovido pelo Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) com apoio da Associação Livre consta na programação do evento a exibição seguida de debate dos filmes “Arquitetura da Destruição” e “O Triunfo da Vontade” a partir das 14h no Anfiteatro Maior do CLCH.