sem a mediação de palavras
eu posso postar imagens, mas não quero.
e se não quero eu não vou.
sem metafísica.
com um apanhado mal tratado de física
existe uma noite profunda de meses em que eu tenho sido
a sombra de um quadro canônico.
quem me dera contar verdades.
quem me dera enumerar atrocidades.
mas a moral me impede.
resguardo silêncios.
finjo que aceito esta solidão perversa de
gente que precisa estar vivo e pulsante e criativo.
eu sei o nome dos astros.
da minha janela sei dizer onde há um buraco negro, uma super nova ou uma
anã branca.
fora disso tenho em mim todo sentimento do mundo,
mas guardo-o para gente real.
para a coisa real.
guardar é uma dádiva.
se houvesse divindade ela seria o silêncio
(ou a espera),
mas não há.