ALMADA NEGREIROS - POETA PORTUGUÊS, FUTURISTA E TUDO
TARSILA DO AMARAL - PINTORA MODERNISTA
Archive for March of 2007
OS PARALELOS
March 29, 2007Making of Satori Uso
March 23, 2007LITERATURA, ARTES PLÁSTICAS E CINEMA
March 23, 2007
Não existe uma data precisa, mas o início da experiência de quem for ao Cine Com-Tour UEL neste sábado coincide com o nascimento do poeta japonês Satori Uso. O pai deste autor, o escritor e tradutor londrinense Rodrigo Garcia Lopes, o apresentou ao público na Folha de Londrina, em 1985.
Neste dia 24 de março o tal poeta vai ganhar novas leituras na tela de projeção e também no espaço físico do cinema. Na tela, Satori é analisado pela paixão e encantamento que o cineasta norte-americano Jim Kleist desenvolveu ao entrar em contato com os haikais precisos e enigmáticos do poeta. Além da interpretação da literatura de Satori, Kleist se interessou pela biografia vazia de fatos e repleta de lirismo. Foi exatamente a impossibilidade de criar uma narrativa convencional com acontecimentos a serem contados, mas apenas sentimentos, que o cineasta famoso por se orgulhar de não ter terminado um filme quis criar um universo plástico, sentimental do poeta das sombras no filme “Isolation”: “Eu quis contar a vida do Satori Uso justamente por isso...Ele é um poeta que procura constantemente anular a si mesmo, se reintegrar a uma ordem natural há muito tempo perdida”, afirmou Kleist a um entrevistador dos EUA na década de 80.
Um cineasta dialogando com um escritor não é lá uma grande novidade. Não que o cinema seja feito de novidades, longe disso, os clássicos são clássicos não só porque transgrediram e se diferenciaram da linguagem utilizada até então, mas por se envolverem plenamente com sentimentos humanos.
Pois a grande questão do filme que estréia neste sábado é a utilização brilhante do que se poderia chamar de “falso documentário”. O curta metragem dirigido por Rodrigo Grota que aos desavisados pareceria um documentário sobre o filme inacabado de Kleist foi inspirado nos versos do alter ego japonês de Rodrigo Garcia Lopes. Trata-se, portanto, de dois personagens ficcionais baseados em sentimentos reais.

Leitora de Rodrigo Garcia Lopes e amiga ou até cúmplice das insanidades criativas de Grota, me senti impelida a propor mais uma leitura desta metalinguagem toda, ou, como prefere Hilda Hilst, desta “merdafestança de linguagem”. Eu, leitora dos dois Rodrigos busquei criar um novo suporte para a obra de ambos. O resultado é a exposição “Satori Uso”, que será aberta juntamente com a estréia do filme e a exibição dos curtas “O quinto postulado” e “Londrina em três movimentos” no 24 de março, (meu aniversário) a partir das 20h30 no Cine Com-Tour UEL.
Como o espaço do Cine Com-Tour UEL não foi desenvolvido para exposições de artes plásticas, minha preocupação foi intervir o menos possível para permitir a circulação das pessoas, e, ao mesmo tempo, proporcionar novas sensações a partir da obra dos Rodrigos.
Minhas matérias-primas foram as imagens captadas pelo diretor de fotografia Carlos Ebert que deram um tom clássico e extremamente plástico ao curta, as fotografias de Meg Yamagute e Zé Nieztsche, a obsessão de Grota por Kleist (tão evidente que os e-mails, orkut e toda vida virtual do cineasta passou a ser assinada por Jim Kleist) e a leveza intrigante dos versos de Garcia Lopes.
Para privilegiar outras possibilidades de leitura dos poemas de Rodrigo Garcia Lopes a exposição propõe uma interação com as palavras de Satori mantendo fidelidade às escolhas de diagramação do autor. Se no cinema e na literatura é a mente do público que se movimenta, na exposição, além da imaginação, os leitores poderão caminhar sobre a poesia de Satori. Além dos poemas do alter ego de Garcia Lopes em disposições diferenciadas, a exposição vai contar com ilustrações em preto e branco que relacionam algumas poesias às imagens do filme e também com o material de pesquisa utilizada pela equipe da produção do curta-metragem que pode interessar quem tem curiosidade sobre produção audiovisual: tratamentos de roteiro, esboços de figurino, criação de personagens, entre outros elementos usados na produção e nas filmagens.
A exposição “Satori Uso”, que tem colaboração de Guilherme Baracat, Karina D’Almas e Regina Egger, pretende ser um breve passeio pelo imaginário de Kleist, Satori, Garcia Lopes, Grota, meu e de quem quiser andar sobre poesia.
Exposição de artes plásticas “Satori Uso”
Cine Com-Tour UEL
Dia 24 de março, sábado - meu aniversário - sua presença é um presente
20h30
Neste dia 24 de março o tal poeta vai ganhar novas leituras na tela de projeção e também no espaço físico do cinema. Na tela, Satori é analisado pela paixão e encantamento que o cineasta norte-americano Jim Kleist desenvolveu ao entrar em contato com os haikais precisos e enigmáticos do poeta. Além da interpretação da literatura de Satori, Kleist se interessou pela biografia vazia de fatos e repleta de lirismo. Foi exatamente a impossibilidade de criar uma narrativa convencional com acontecimentos a serem contados, mas apenas sentimentos, que o cineasta famoso por se orgulhar de não ter terminado um filme quis criar um universo plástico, sentimental do poeta das sombras no filme “Isolation”: “Eu quis contar a vida do Satori Uso justamente por isso...Ele é um poeta que procura constantemente anular a si mesmo, se reintegrar a uma ordem natural há muito tempo perdida”, afirmou Kleist a um entrevistador dos EUA na década de 80.
Um cineasta dialogando com um escritor não é lá uma grande novidade. Não que o cinema seja feito de novidades, longe disso, os clássicos são clássicos não só porque transgrediram e se diferenciaram da linguagem utilizada até então, mas por se envolverem plenamente com sentimentos humanos.
Pois a grande questão do filme que estréia neste sábado é a utilização brilhante do que se poderia chamar de “falso documentário”. O curta metragem dirigido por Rodrigo Grota que aos desavisados pareceria um documentário sobre o filme inacabado de Kleist foi inspirado nos versos do alter ego japonês de Rodrigo Garcia Lopes. Trata-se, portanto, de dois personagens ficcionais baseados em sentimentos reais.

Leitora de Rodrigo Garcia Lopes e amiga ou até cúmplice das insanidades criativas de Grota, me senti impelida a propor mais uma leitura desta metalinguagem toda, ou, como prefere Hilda Hilst, desta “merdafestança de linguagem”. Eu, leitora dos dois Rodrigos busquei criar um novo suporte para a obra de ambos. O resultado é a exposição “Satori Uso”, que será aberta juntamente com a estréia do filme e a exibição dos curtas “O quinto postulado” e “Londrina em três movimentos” no 24 de março, (meu aniversário) a partir das 20h30 no Cine Com-Tour UEL.
Como o espaço do Cine Com-Tour UEL não foi desenvolvido para exposições de artes plásticas, minha preocupação foi intervir o menos possível para permitir a circulação das pessoas, e, ao mesmo tempo, proporcionar novas sensações a partir da obra dos Rodrigos.
Minhas matérias-primas foram as imagens captadas pelo diretor de fotografia Carlos Ebert que deram um tom clássico e extremamente plástico ao curta, as fotografias de Meg Yamagute e Zé Nieztsche, a obsessão de Grota por Kleist (tão evidente que os e-mails, orkut e toda vida virtual do cineasta passou a ser assinada por Jim Kleist) e a leveza intrigante dos versos de Garcia Lopes.
Para privilegiar outras possibilidades de leitura dos poemas de Rodrigo Garcia Lopes a exposição propõe uma interação com as palavras de Satori mantendo fidelidade às escolhas de diagramação do autor. Se no cinema e na literatura é a mente do público que se movimenta, na exposição, além da imaginação, os leitores poderão caminhar sobre a poesia de Satori. Além dos poemas do alter ego de Garcia Lopes em disposições diferenciadas, a exposição vai contar com ilustrações em preto e branco que relacionam algumas poesias às imagens do filme e também com o material de pesquisa utilizada pela equipe da produção do curta-metragem que pode interessar quem tem curiosidade sobre produção audiovisual: tratamentos de roteiro, esboços de figurino, criação de personagens, entre outros elementos usados na produção e nas filmagens.
A exposição “Satori Uso”, que tem colaboração de Guilherme Baracat, Karina D’Almas e Regina Egger, pretende ser um breve passeio pelo imaginário de Kleist, Satori, Garcia Lopes, Grota, meu e de quem quiser andar sobre poesia.
Exposição de artes plásticas “Satori Uso”
Cine Com-Tour UEL
Dia 24 de março, sábado - meu aniversário - sua presença é um presente
20h30
March 21, 2007
?
Ela, Ele, o Mapa e a Menina
March 16, 2007
Sentia que podia falar de um monte de coisas.
Esperou o silêncio.
Na verdade esperou os silêncios.
E foram muitos.
E foram tantos.
E foram tão consecutivos.
E foram tão incompreensíveis que não houve mais espera.
Ela falou um monte de coisas, não pra ele, porque ele só queria e sabia de silêncios e pequeninos desprezos.
Ela falou montes, pilhas, toneladas, montantes, km, horas, joules, gramas de coisinhas.
Sabe quem escutou?
Uma menina.
Que menina?
A menina que precisava ouvir aquelas cores todas e ver aqueles silêncios todos dele.
A menina ouviu.
Escutou, anotou, desenhou aquelas coisas todas que ela contava com lápis de cor e sorriu.
Ela recebeu hoje ao meio dia um envelope enviado via sedex 10 com os desenhos da menina.
Riu para cada um deles, todos tão delicadinhos e simples. Tão diretos.
Ela sentia que ainda podia falar um monte de coisas, mas para outras pessoas de outros lugares. Lugares que a menina desenhou, pessoas que a menina coloriu. Ela não conhecia nenhuma delas, mas tudo finalmente parecia conversar entre si. Ela colou na parede da sala os desenhos da menina. Montou com eles uma espécie de mapa imaginário.
Ficou olhando, olhando, olhando.
Não quis falar, quis olhar.
O mapa, então, olhou pra ela e soltou uma gargalhada gostosa. Ela deu um berro de susto, mas depois caiu no riso. Riram, os dois, por minutos.
Ela perguntou ao mapa onde estava a menina. Ele disse que não a conhecia e que sabia que a menina era alguém importante pra ela porque ela ficava animada quando dizia tudo que a menina lhe havia dado. O mapa pediu para ser amigo dela.
Ela quis, mas disse que achava estranho ter um amigo mapa, ma aceitou se ele prometesse não contar nada a ninguém.
E assim passou a tarde de hoje. Ela tinha um amigo e sabia que a questão não era conseguir falar, mas saber que podia.
March 14, 2007
Qual a primeira sensação que você tem quando vê um policial?
Conheço poucas pessoas que responderiam “respeito” e “segurança”. Por quê?
Talvez porque este seja um país de malandros e todos sejam marginais que vivem na ilegalidade.
Aí eu pergunto: “o que é ser malandro?”, “O que é ser marginal?”, “O que é viver na ilegalidade?”, quando lembro, não sei bem ao certo porque, da repressão policial na Rio de Janeiro dos idos de 1800 em que os “capoeiras” eram presos por não portarem documentos, por praticarem seu esporte predileto, por tocarem violão – instrumento proibido porque era de marginais, por exercitarem sua cultura.
Você já viu fotos disso? Da cidade negra, recém “liberta” tendo que se esconder para existir enquanto cultura, enquanto humanidade.
Não sei porque, mas quando eu vejo um policial eu lembro disso, além, também de lembrar de uma infinidade de cenas transmitidas pela TV e que eu e quase todos meus amigos presenciaram de violência gratuita e abuso de autoridade.
Deve haver homens e mulheres preocupados com o bem estar público, PÚBLICO mesmo, e não aquele privado, estatal, dos políticos, e das contas bancárias. Deve haver sim, e estes e estas ganham salários desumanos para o trabalho que exercem.
Isto tudo é clichê, né?
É ladainha repetida às quatro ventos pela mídia.
Mas em seguida eu lembro de uma matéria que a Record, se não me falha a memória, exibiu ontem. Policiais espancando usuários de crack. Por quê?
Não sei, sei que vi uma fileira de pessoas indefesas e desarmadas apanhando. Depois da cena, e da frase que mais me causa espanto: um inquérito foi instaurado e as ações dos policiais serão julgadas (julgadas por quem? Pelos próprios policiais?) a matéria mostrou um projeto de “revitalização” da cracolândia, em Santa Efigênia, lugar em que os usuários de crack haviam apanhado.
A tal revitalização quer instaurar no lugar uma “vida” normal. Quer fazer o espaço eficiente como uma empresa, cheio de luzes e principalmente com presença policial.
Não ouvi nenhuma vez a palavra inclusão.
Não ouvi nenhuma vez a palavra humanidade ou respeito.
A cidade, feita de pessoas, mais uma vez expulsa e reprime sua gente para criar espaços bonitinhos e lucrativos.
Se hoje é no crack que estes “malandros” suspendem o desequilíbrio da vida, ontem era em rodas de samba e capoeira. Dá para perceber para onde a repressão leva?
A propósito, malandro é quem não tem emprego em um país com o salário mínimo de pouco mais de 100 dólares em que quase a metade da população vive na informalidade.
Tudo isso pensei ontem, quando vi na Universidade Estadual de Londrina, pela segunda vez, policiais passeando pelo campus à cavalo. Até onde eu sei a polícia não tem permissão para isso, provavelmente as regras mudaram. Pensei nisso tudo ontem em um flash rapidíssimo de segundos quando entrei no Pátio São Miguel, único lugar em que se pode comer a qualquer hora do dia em Londrina, e vi dois policiais, evidentemente armados, usando colete a prova de balas que trazia bem no meio do peito, no chacra do coração a palavra DISSIMULAÇÃO.
Isso mesmo, DISSIMULÇÂO: [Do lat. dissimulatione.]
S. f.
1. Ato ou efeito de dissimular(-se).
2. Encobrimento das próprias intenções.
3. Disfarce, fingimento, hipocrisia, refolho.
Perguntei-lhes se eles sabiam o que significava, disseram que não.
Me senti impotente olhando para aquela palavra grafada no peito de dois homens que trazem consigo a marca de todo este histórico.
O que pretende um indivíduo que responde pela segurança PÚBLICA que carrega consigo o imperativo da dissimulação?
Conheço poucas pessoas que responderiam “respeito” e “segurança”. Por quê?
Talvez porque este seja um país de malandros e todos sejam marginais que vivem na ilegalidade.
Aí eu pergunto: “o que é ser malandro?”, “O que é ser marginal?”, “O que é viver na ilegalidade?”, quando lembro, não sei bem ao certo porque, da repressão policial na Rio de Janeiro dos idos de 1800 em que os “capoeiras” eram presos por não portarem documentos, por praticarem seu esporte predileto, por tocarem violão – instrumento proibido porque era de marginais, por exercitarem sua cultura.
Você já viu fotos disso? Da cidade negra, recém “liberta” tendo que se esconder para existir enquanto cultura, enquanto humanidade.
Não sei porque, mas quando eu vejo um policial eu lembro disso, além, também de lembrar de uma infinidade de cenas transmitidas pela TV e que eu e quase todos meus amigos presenciaram de violência gratuita e abuso de autoridade.
Deve haver homens e mulheres preocupados com o bem estar público, PÚBLICO mesmo, e não aquele privado, estatal, dos políticos, e das contas bancárias. Deve haver sim, e estes e estas ganham salários desumanos para o trabalho que exercem.
Isto tudo é clichê, né?
É ladainha repetida às quatro ventos pela mídia.
Mas em seguida eu lembro de uma matéria que a Record, se não me falha a memória, exibiu ontem. Policiais espancando usuários de crack. Por quê?
Não sei, sei que vi uma fileira de pessoas indefesas e desarmadas apanhando. Depois da cena, e da frase que mais me causa espanto: um inquérito foi instaurado e as ações dos policiais serão julgadas (julgadas por quem? Pelos próprios policiais?) a matéria mostrou um projeto de “revitalização” da cracolândia, em Santa Efigênia, lugar em que os usuários de crack haviam apanhado.
A tal revitalização quer instaurar no lugar uma “vida” normal. Quer fazer o espaço eficiente como uma empresa, cheio de luzes e principalmente com presença policial.
Não ouvi nenhuma vez a palavra inclusão.
Não ouvi nenhuma vez a palavra humanidade ou respeito.
A cidade, feita de pessoas, mais uma vez expulsa e reprime sua gente para criar espaços bonitinhos e lucrativos.
Se hoje é no crack que estes “malandros” suspendem o desequilíbrio da vida, ontem era em rodas de samba e capoeira. Dá para perceber para onde a repressão leva?
A propósito, malandro é quem não tem emprego em um país com o salário mínimo de pouco mais de 100 dólares em que quase a metade da população vive na informalidade.
Tudo isso pensei ontem, quando vi na Universidade Estadual de Londrina, pela segunda vez, policiais passeando pelo campus à cavalo. Até onde eu sei a polícia não tem permissão para isso, provavelmente as regras mudaram. Pensei nisso tudo ontem em um flash rapidíssimo de segundos quando entrei no Pátio São Miguel, único lugar em que se pode comer a qualquer hora do dia em Londrina, e vi dois policiais, evidentemente armados, usando colete a prova de balas que trazia bem no meio do peito, no chacra do coração a palavra DISSIMULAÇÃO.
Isso mesmo, DISSIMULÇÂO: [Do lat. dissimulatione.]
S. f.
1. Ato ou efeito de dissimular(-se).
2. Encobrimento das próprias intenções.
3. Disfarce, fingimento, hipocrisia, refolho.
Perguntei-lhes se eles sabiam o que significava, disseram que não.
Me senti impotente olhando para aquela palavra grafada no peito de dois homens que trazem consigo a marca de todo este histórico.
O que pretende um indivíduo que responde pela segurança PÚBLICA que carrega consigo o imperativo da dissimulação?
desejos de suicida
March 09, 2007

uma caixa transparente
.
.
.
.
.
.
bem alta
com fundo infinito
desconforto crônico
braços, mãos e úteros desconsolados
esconderijos
conchas dentro de conchas
vastidão silenciosa
uma janela no décimo andar e a gravidade veloz agindo sobre o corpo
afiada solidão turbulenta
uma navalha eficiente
eco
paisagem submersa.
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bem alta
com fundo infinito
desconforto crônico
braços, mãos e úteros desconsolados
esconderijos
conchas dentro de conchas
vastidão silenciosa
uma janela no décimo andar e a gravidade veloz agindo sobre o corpo
afiada solidão turbulenta
uma navalha eficiente
eco
paisagem submersa.
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a rose is just a rose is just a rose is just a rose
March 08, 2007
Alguém me diz que é dia das mulheres e me dá parabéns.
Eu dou risada.
Acho esta agenda global de datas específicas uma bobagem.
Na rua as mulheres carregam rosas: presentes das empresas em que trabalham.
Cruzo com uma trêmula, obesa, desdentada. Ela anda rápido em direção ao ônibus.
Vai ficar sentada uma hora e meia antes de chegar em casa depois de um dia de faxina.
Ela vai fazer comida para o marido, vai tentar cuidar dos três filhos e exausta, vai olhar para a rosa que descansa em um copo de requeijão sobre a televisão.
Que presente um país como este pode dar a uma mulher desdentada?
Uma rosa?
Eu dou risada.
Acho esta agenda global de datas específicas uma bobagem.
Na rua as mulheres carregam rosas: presentes das empresas em que trabalham.
Cruzo com uma trêmula, obesa, desdentada. Ela anda rápido em direção ao ônibus.
Vai ficar sentada uma hora e meia antes de chegar em casa depois de um dia de faxina.
Ela vai fazer comida para o marido, vai tentar cuidar dos três filhos e exausta, vai olhar para a rosa que descansa em um copo de requeijão sobre a televisão.
Que presente um país como este pode dar a uma mulher desdentada?
Uma rosa?
Isto é o que se chama democracia?
March 01, 2007
Carga tributária bate recorde e atinge 38,8% do PIB em 2006, diz IBPT
da Folha Online
A carga tributária brasileira atingiu 38,80% do PIB em 2006, o que representa um crescimento de 0,98 ponto percentual em relação a 2005, quando alcançou 37,82%, segundo projeções do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). Os dados são baseados no PIB brasileiro que cresceu 2,9% em 2006, segundo divulgou ontem o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em valores, o total da arrecadação tributária, nos três níveis (federal, estadual e municipal), passou de R$ 732,87 bilhões para R$ 815,07 bilhões, de 2005 para 2006, crescimento nominal de R$ 82,2 bilhões.
Segundo projeção do instituto, cada brasileiro pagou de tributos em média R$ 4.434,68 em 2006, ou seja R$ 447,23 a mais que em 2005.
Em relação ao PIB, os tributos federais representaram 27,12%, os estaduais 10,08% e os municipais, 1,6%. Do total da arrecadação, os federais são responsáveis por 69,91%, os estaduais 25,97% e, os municipais 4,12%.
O presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, disse que "o excesso de tributação retira poder de compra dos salários ao mesmo tempo em que aumenta o preço final das mercadorias e serviços, retraindo o consumo, afastando investimentos produtivos e dificultando a geração de empregos formais".
Segundo histórico do instituto, a carga tributária registrou queda, durante o governo Lula, apenas em 2003, com recuo de 0,30 ponto percentual. Em 2004, a alta foi de 1,26% e, em 2005, de 1,02.
Durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, a carga tributária teve redução apenas em 1996, de 1,61 ponto percentual, nos demais anos, de em 1995 e 2002, a carga tributária cresceu.
da Folha Online
A carga tributária brasileira atingiu 38,80% do PIB em 2006, o que representa um crescimento de 0,98 ponto percentual em relação a 2005, quando alcançou 37,82%, segundo projeções do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). Os dados são baseados no PIB brasileiro que cresceu 2,9% em 2006, segundo divulgou ontem o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em valores, o total da arrecadação tributária, nos três níveis (federal, estadual e municipal), passou de R$ 732,87 bilhões para R$ 815,07 bilhões, de 2005 para 2006, crescimento nominal de R$ 82,2 bilhões.
Segundo projeção do instituto, cada brasileiro pagou de tributos em média R$ 4.434,68 em 2006, ou seja R$ 447,23 a mais que em 2005.
Em relação ao PIB, os tributos federais representaram 27,12%, os estaduais 10,08% e os municipais, 1,6%. Do total da arrecadação, os federais são responsáveis por 69,91%, os estaduais 25,97% e, os municipais 4,12%.
O presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, disse que "o excesso de tributação retira poder de compra dos salários ao mesmo tempo em que aumenta o preço final das mercadorias e serviços, retraindo o consumo, afastando investimentos produtivos e dificultando a geração de empregos formais".
Segundo histórico do instituto, a carga tributária registrou queda, durante o governo Lula, apenas em 2003, com recuo de 0,30 ponto percentual. Em 2004, a alta foi de 1,26% e, em 2005, de 1,02.
Durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, a carga tributária teve redução apenas em 1996, de 1,61 ponto percentual, nos demais anos, de em 1995 e 2002, a carga tributária cresceu.