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Archive for October of 2006
October 30, 2006
Para quem achava que o Googlearth era o que havia de mais avançado em interface de geografia, imagens de satélite, cartografia e interatividade surge um choque muito grande.
É mais um dos megaprojetos dos caras que trabalham no melhor e mais inteligente sistema de emprego do mundo - a Microsoft.
A maravilha em questão se chama photosynth. Elaborada pela University of Washington, Microsoft Research, Seadragon Windows Media Photo, PIX , Windows Live Local, Live Labs, a ferramenta possibilita a criação do mundo todo, incluindo todos os ambientes internos, com fotografias fornecidas por internautas. A partir delas ele mapeia tudo e transforma as imagens em 3D.
Vai dar pra ver shows, veículos, museus, a casa que você pretende alugar, o quarto do hotel que pretende ficar, escolher a próxima viagem, tudo na internet. E o mais interessante: a partir de dados fornecidos pelos internautas. É a horizontalização da informação total cujo precedente mais direto é o youtube que criou uma rede inteligente entre produtores e consumidores.
A propósito, para onde vai a privacidade?
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October 28, 2006
O dilema de quem tem blog passa pela vontade, ou não, de estabelecer uma comunicação com o leitor.
Tem gente que costuma escrever textos herméticos para a maioria. Ana Banana, Ísis, Ygor, Grota e eu (às vezes o Briguet) somos exemplos disso.
Questão de linguagem, de gênero ou de vontade de escrever deste jeito.
Coisas que pouca gente tem paciência de ler até o final, certamente.
Por que escrevemos assim?
Talvez porque a gente viva numa egotrip danada e o mundo que nos desperta interesse a ponto de escrever sobre ele não vá muito além do que nossas casas, nossos quartos, nossas “imensas” questões metafísicas tão relevantes para o mundo como os livros em sânscritos guardados no Louvre.
Mas se a gente publica é porque quer respostas.
Mas se quer respostas, comentários, audiência, por que escreve o que ninguém quer ler?
Crise!
Há quem pense que gente assim, como a gente, se sente especial, acha que fala daquilo que realmente importa, que dá espaço para as grandes questões da existência.
Mas o que realmente importa?
Vendo as enxurradas de comentários e observando as palavras buscadas no Google que trazem leitores até nossos blogs dá pra ter uma medida disso:
Emo, emo é ou não gay, receitas, trufa de chocolate, trufa de morango, trufa de banana, trufa de amarula, buceta, o que eu fui na vida passada, Cicarelli metendo em praia espanhola sem camisinha, buceta de novo, convite para o orkut, teste de vida passada, Citotec, emo, emo, emo.
O que as pessoas buscam, pelo menos na internet, é muito, muito, muito variado, mas dificilmente se relaciona com arte moderna, cinema brasileiro, literatura, a busca do eu, o fragmento pós-moderno, as espelhos internos, etc...
Estes são exemplos daquele hermetismo que falei lá em cima.
Pseudo-assuntos?
Pseudo-conhecimentos?
Talvez (mas o que é pseudo? É falar sem ter um conhecimento razoável sobre o assunto ou falar de um jeito e sobre assuntos fora das questões do dia-a-dia, do pragmatismo, da mídia?).
São três dos lados do hermetismo: elitismo, especialização ou falta de enxada?
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October 09, 2006
Apagar todas as histórias da literatura brasileira com borracha da lendária amazônia.
Esta é vontade que deu depois de ouvir Ariano Suassuna no teatro Ouro Verde ontem.
Há quem diga que ninguém lê no Brasil, há, inclusive, pesquisas qualitativas e quantitativas que comprovam isto. Há quem acredite que só mulheres com peitos e bundas gritantes, homens com olhos verdes e tanquinho abdominal, sejam celebridades na era do glamour televisivo.
Sim, isso é verdade, tanto que o sucesso do “Auto da Compadecida” respinga no autor de tantos versos quase desconhecidos.
Mas o que eu preciso dizer é que não me lembro de ter visto tanta gente em um teatro. Tanta e tão disposta a participar e se divertir. A velhice bem humorada tem destes milagres.
Pois cheguei em casa e peguei todas as minhas Histórias da literatura brasileira e retirei-lhes a capitular. Agora eu tenho apenas historietas mal contadas da cultura nacional.
Até o senhor todo poderoso Antonio Candido anda com vergonha de defender um sistema literário nacional. Ora, caro Candido, os causos todos que se contavam de geração em geração antes do século XVIII não conformaram um sistema em que público, autor e obra se encontraram?
Graças a uma sabedoria ancestral alguns homens e mulheres corajosos dão sua vida pela causa. Pesquisam, lêem, se apaixonam e experimentam sempre mais da cultura pulsante das ruas, das reentrâncias de um Brasil submerso.
No rastro da busca delirante pela brasilidade de Suassuna, Silvio Romero, Alencar, Mário de Andrade, entre tantos outros teóricos e artistas conhecidos, ou nem tanto, marcaram com colorido brilhante o conceito coletivo daquilo que define uma nacionalidade.
Mas uma nacionalidade para o bem, há milhas daquela da ordem, progresso e xenofobia.
Ora, se soa delirante a delimitação precisa entre o nacional e o estrangeiro, Suassuna torna razoável a aceitação de uma fronteira. Qual seria?
Aquela generosa, antropofágica, includente, filha de Guaraci, vinda diretamente do Matriarcado de Pindorama (“me desculpem os evangélicos e os judeus, respeito a ambos, mas acho que o judaísmo e o calvinismo não valorizam a figura feminina”).
Se a inclusão enriquece a cultura, a exclusão social empobrece a unidade nacional.
Existem dois Brasis, afirma Suassuna lembrando Machado: o real e o oficial.
O pai de Chicó opta pelo Brasil real, “eu me interesso pela cultura brasileira como um todo. Eu falo mais da popular porque ela é a mais marginalizada”.
Pois a margem parece ser a medida exata das culturas intensamente híbridas, como a nossa. A periferia do mundo, o lar colonizado é então o novo centro – é a vingança secular do genocídio indígena. Este novo centro é múltiplo, é a somatória dos contrários, “é o barroco brasileiro”. Barroco para Suassuna, Moderno para Baudelaire e para todos os almofadinhas da Semana de Arte Moderna e adjacências paulistanas.
Barroco é o termo libertário escolhido por um escritor católico assumido (mas não praticante), escultor do inconsciente nacional coletivo.
Moderno como os olhos livres de Picasso, Klee e os tupis guaranis, seu Suassuna mora onde o que cabe é apenas o que é maior que a utopia.
Afinal, num país de Chicós, quem tem sabedoria é rei.
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October 03, 2006
André Ristum, diretor do curta que participa da competitiva nacional da Mostra Londrina: "De Glauber para Jirges"
Ainda com ressaca eleitoral, com muito medo de um país que elege Fernando Collor, Paulo Maluf, entre outras barbaridades-aberrações, vou ignorar a pauta da semana antes que feche minha mala e voe daqui.
Vamos falar de uma fonte de felicidade e alívio de frustrações: www.mostralondrinadecinema.com.br
Entre para ver a programação e ainda aprecie um site fudido de bom, feito aqui em casa, pelo meu respectivo - sr. Guilherme Baracat.
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