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Archive for August of 2006

resposta

August 31, 2006
 
ninguém se perde.
porque é utopia o encontro.
eu acho que não existem salas de arte.
porque arte não existe.
arte é bobagem.
é o ego projetado numa tela invisível que só cretinos egotistas como nós enxergam.
a vida é dos realistas.
a ilusão, dos artistas.
aí vc me pergunta:
existe realidade?
o que a define?
eu respondo: a ilusão.

sOmBrAs

August 27, 2006

 

eu sempre fiquei com receio de colocar meus trabalhos aqui.

certamente aquele papo de falta de enxada me fez ficar com pé atrás.

mas como cada um tem uma forma de se expressar, e a minha é esta, não queria mais esconder isso. se é ou não falta de enxada, não sei. mas enfim...

  

 

não sei até quando esta coragem vai durar, mas acho que depois de 5 anos de blog vale a pena tentar começar.

 esta é um exemplo da série em que estou trabalhando agora.

 

dá sempre uma certa tristeza de ver um trabalho pronto.

primeiro porque é muito difícil gostar dele e deixá-lo.

sempre parece que precisa de alguma alteração pra ficar bom ou simplesmente pra satisfazer a vontade que o gerou.

 estou descobrindo a liberdade de retrabalhar o desenho e a pintura. 

depois de "prontos" eles são fotografados, quando perdem as partes desnecessárias e têm alguns detalhes evidenciados.

se tornam novos monstros.

das fotografias eu passo pro tratamento de imagens.

colo, agrupo, tiro, etc.

  o que fica parece a sombra da sombra da sombra da sombra.

aos poucos eu começo a acreditar que estas sombras não são sobras do trabalho primeiro, mas  a etapa final dele.

 

 

infelizmente não dá pra colocar imagem em alta resolução, então muitos detalhes se perdem.

 

 

August 26, 2006

 

 

mais uma para a coleção "de ser brasileira"

August 25, 2006

Agora as mulheres norte-americanas podem comprar a pílula do dia seguinte, que na prática pode ser ingerida até 3 dias após a relação descuidada, sem prescrição médica, isto é, estão isentas do pagamento da consulta médica.

No Brasil,  muito pelo contrário (aliás, este seria um bom apelido, Brasil - o país do contrário), quase nenhuma farmácia exige indicação médica para vender algum produto e rechear as caixas registradoras.

Aliás felizmente, graças às adaptações cotidianas do mundinho do contrário. Porque se a brasileira tivesse que esperar a consulta médica (em rede pública, porque a maioria da população feminina brasileira não dispõe de R$ 150 emergenciais), ao invés de pílula do dia seguinte, o único método contraceptivo, só aborto de 4 meses.

 

August 21, 2006

 

estamos aguardando as novas ferramentas deste sistema.

desculpem-nos o transtorno.

Hsia Kuei

Mais uma de ser brasileiro

August 18, 2006

No primeiro dia de paralisação dos servidores municipais eu tinha consulta, marcada há dois meses, no Posto de Saúde da minha região. Fui até lá para retirar os resultados dos exames que demoraram 2 meses para serem marcados e realizados.

Portas fechadas.

Não critico greve, imagina. Critico o salário que estes profissionais recebem.

Ontem, depois de uma semana com febre e dor de garganta, sem ter como ser atendida no meu bairro, fui até a UEL.

A consulta, marcada para às 19h, só aconteceu cerca de 40 minutos depois, quando o médico Dagoberto Ribeiro da Silva chegou ao Dasc (Divisão de Assistência à Saúde da Comunidade da UEL).

Com quase uma hora de atraso, o referido médico me atendeu em 3 minutos, mal ouviu o que eu tinha para contar sobre meus sintomas, não respondeu minhas perguntas, não me informou o diagnóstico e me prescreveu três medicamentos, entre eles, um que não existe, isto é, que na concentração indicada não é fabricado neste país.  

Voltei para casa com esta receita na mão e nenhuma idéia do que eu tenho. Caso meu quadro se agravasse, não teria como informar a outro medico meu diagnóstico anterior. Se eu e você tivéssemos mais paciência, eu listaria dezenas de casos de descaso com a saúde pública, mas certamente você conhece muitos outros.

Falando assim, em saúde pública, parece que uma referência extra-pessoal. Mas não, são milhares de pessoas, só em Londrina, que não recebem atendimento emergencial, atendimento preventivo eficiente, odontológico, etc...

Vale sempre lembrar que até o momento de publicação deste post, os cidadãos brasileiros tinham pago R$ 516.953.000.000,00 de impostos para o governo apenas em 2006. Eu nem consigo imaginar tanto dinheiro assim.

(Aqui tem um impostômetro (http://www.impostometro.org.br) dá pra verificar este valor e ainda calcular quanto de imposto o leão te devora por mês.)

Não, não sou candidata, mas ingenuamente ainda fico perplexa com estas barbaridades.

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Se eu fosse editor de cidades, pautaria semanalmente repórteres para serem atendidos na rede pública de "saúde" nas mais variadas especialidades para acompanhar a saga de marcação de consulta, espera, marcação de exames, resultados, retorno, a qualidade deles e os salários dos profissionais envolvidos.

Se felicidade fosse clichê

August 15, 2006

Felicidade de ex-fumante é discursar sobre os maléficios do tabaco e o número de mortos e doentes anuais decorrentes da nicotina, bem na hora do intervalo - quando a diversão dos fumantes é justamente a dupla mais perfeita desde o gordo e o magro e neosaldina pra ressaca: café novinho e cigarro. 

Felicidade de vegetariano é enumerar as crueldades do ciclo de produção de carne bem na hora da garfada triunfal na picanha mal  passada. Até terminar o bife, o camarada já citou o número de ursos brancos mortos desde os anos 80, das baleias que foram abatidas no mar do Japão e a quantidade de toxinas que devem estar se alastrando no seu corpo naquele momento em que você digere a suculenta proteína.

Felicidade de hipocondríaco é quando alguém tosse no elevador. E se o camarada (o hipocondríaco, não o cara com gripe) for daqueles  destemidos, até o elevador chegar ao térreo você já foi informado do número de bactérias que estão impregnadas na maçaneta da porta, na esponja de banho e, claro, no botão do elevador que você acabou de apertar.

Felicidade de esportista é exibir o tanquinho no centro da cidade assim que o termômetro sobe dois, dos vinte e poucos graus deste inverno seco. Além de exibir os músculos em momentos impróprios, o esportista faz questão de mencionar com termos científicos cada parte do corpo que cultua e os elementos que precisa ingerir para manter aquele forma de atleta grego.

Felicidade de jornalista é entrevistado que libera a manchete perfeita e pra ajudar, fala editado e não mente. 

 Felicidade de gaúcho que mora longe do Rio Grande é torcer pro Inter nesta quarta-feira (com um gol de vantagem). 

Antropofagia

August 14, 2006

para Mark Rothko

Textinho de segunda-feira tem que ser feliz.
Tem que ser pelo menos um pouco estimulante pro carinha que lê sentir-se bem, feliz, forte, tudo para enfrentar durante mais uma semana um chefe filho da puta (pleonasmo), as contas que vencem depois do dia 10 e os programas nojentos da TV aberta se for pobre, ou super coloridos e vazios da TV fechada, se for rico.

Mas desculpe, tem dia que não é dia.
E hoje, ontem e onteontem não foram dias. Portanto nada de placebos, nada de palavrinhas bonitinhas pra enganar você vão sair daqui.
Se quiser se ausentar da crua realidade, daquela que é preciso afastar, pare de ler agora, como você faz quando percebe na metade do e-mail daquele amigo que achava (no Passado com letra maiúscula) que jamais te mandaria alguma corrente de má sorte caso você não passe pra frente aquela baboseira pra mais 15.
Mas se quiser arriscar, vá em frente, continue até o final (ou não).

Toda vez que um suicida cretino rasga a Higienópolis com uma moto turbo ou carro envenenado eu fecho os olhos e quero estar lá dentro (dentro dele, do cretino).
Não porque eu queira me espatifar num poste, mas porque aquela adrenalina deve ser melhor que qualquer droga.
Quero estar dentro daquele barulho absurdo, sentir que o asfalto é só a desculpa que gruda as rodas no chão, mas que na verdade não existe, na verdade se está mais acima.
Num lugar em que se pode tudo, se pode dizer FODA-SE com letras garrafais praquela ordem toda que vai nascer com o dia seguinte com a segunda-feira com o cronômetro na mão para marcar o tempo que é preciso perder pra se enfiar em sofás coloridos, TVs de tela plana, anestesias em comédias românticas e cartões de dia dos pais, mães, namorados, feliz aniversário e o escambau.

Credo, quanto pessimismo.
Quanta revolta adolescente.

Mas isso tudo não sou eu, nem você, portanto relaxe.

É só uma persona que comove nossos desejos a cada um milhão de segundos felizes e que às vezes eu deixo falar.
É o reflexo dos avessos todos daquilo que queremos ser.

(Nenhum plural cabe aqui, você pensa. Ninguém tem o direito de usar o nós em nada, certo?
Nunca é possível incluir o outro na insanidade própria?
Pois eu acho que é sempre plural, que sempre se está fora e dentro daquilo tudo que existe.
Porque se eu estou perplexa, infeliz, sozinha, você, de alguma forma vai ficar também.
Eu não queria, juro que não.
Nem a minha feição mais egoísta queria compartilhar tamanha desrazão e despropósito de existir.
Mas é assim que é.
E tem coisas, muito poucas, que são inelutáveis, como esta. Esta que faz de um domingo um abismo, a solidão de se estar no fundo de um labirinto sem fundo.
E se, daqui cinco minutos você estiver feliz, talvez eu também esteja, talvez não. Talvez  um refluxo, talvez alguma coisa tenha morrido e renascido fora de mim.
Daí eu me permitir usar o nós, não aquele dos editoriais de jornais mal escritos. Eu uso um nós como apelo. Como pedido de ajuda, como uma necessidade.
Quem sabe amanhã ou semana que vem eu escreva alguma coisa que preste, eu volte a atender o telefone, volte a gostar da cidade e não queira ser o cara que acelera na moto, mas é muito tempo, tempo demais.
E pra quem é triste, uma hora é um suplício. )

Guerra

August 08, 2006


Fonte: Issam Kobeisy / Reuters



Defensor civil libanês retira corpo de criança entre escombros de prédio em Beirute. Ataque israelense contra região residencial deixou ao menos 13 mortos

.....I.......would.......prefer.....not.......to II...

August 06, 2006
to the ideas of Guillaume Apollinaire and the feelings of Herman Melville




let me have this weird feeling about time self
let me hate, feel rage, want revenge

let me be the opposite of the null dreams you’ve created to me

let me build new ruins above the old ones

let me leave unknown places on my paintings in the colors I need to

and please,
never ever forgive me -
because I did not ask to

but I do ask for permission
I always do

maybe because it’s my particular way to increase distance,
or even to show how useless you are