O grande mito do casamento moderno é a crença da coexistência harmônica entre amor, sexo e amizade.
A ingenuidade coletiva que legitima esta face da mitologia moderna reside exatamente na crença de que a prática do sexo com o mesmo indivíduo resultaria em algo similar a respeito, afeto, companheirismo e segurança afetiva.
Entretanto, quanto mais tempo dois seres humanos permanecem ungidos a mesma cama, casa e conta bancária, menos sexo e amizade praticam; na mesma medida em que menos situações de felicidade e amizade experimentam, conforme comprovam os dados obtidos em pesquisas empíricas dos antropólogos da Universidade norte-americana de Indiana.
Entendendo-se como felicidade:
1) surpresas positivas
2) alívio
A confluência entre sexo, amor e amizade nutridos pelo mesmo indíviduo resulta em inumeráveis situações, entre as quais raramente se incluem surpresas positivas e alívio, como apontam os cientistas.
O mito do casamento moderno como construção eminentemente burguesa, que desbancou o mito do casamento medieval como sinônimo de matrimônio (cujo par semântico é patrimônio) trouxe menos liberdade ou felicidade imaginadas pelos primeiros burgueses.
Na conjunção de união sexual-social (matrimônio) ao status social e poder de aquisição de bens (patrimônio) alguns mercados se beneficiaram sobremaneira: psicologia, psiquiatria, indústria farmacêutica, indústria cinematográfica hollywoodiana, advocacia e empresas que investem em embalagens individuais.
Ou seja, se por um lado a instituição do casamento expõe um equívoco burguês, de outro, rende algumas dezenas de milhões de dólares.
Moral da história: a lógica burguesa sempre se adapta - mesmo que não faça sentido, faz dinheiro, que aliás, é o que realmente importa.