A COR ILEGAL

Pestes Urbanas

Há mais de um mês dois ovinhos pequenos apareceram na floreira vazia do meu escritório. Tá, tudo bem, eu pensei, eles são inofensivos.
Aí, duas semanas depois, veio a mãe que ficava sobre eles durante a noite, achei bonito o zelo dela e deixei-a se apossar do lugar.

Depois de alguns dias ela resolveu ficar ali o dia todo.
O barulho e o coco começaram a deixar de ser inofensivos.
No último mês os ovos viraram duas coisinhas pequenininhas e feias que rapidamente viraram duas pombas com cara de adultas.

Todo dia eu ia até a janela vê-las ficar maiores, diferentes.
Então o barulho cada vez maior e os cocos mais abundantes ficaram insuportáveis.

A mãe barulhenta e cara de pau alimentava as criaturas fazendo a maior algazarra do mundo. Quando o barulho era tão alto a ponto de me desconcentrar eu batia no vidro para ela parar. Mas como as pombas não são animais inteligentes, apesar de muito bem adaptáveis a quaisquer ambientes, ela nunca mudou de atitude. Custava fazer tudo sem berrar? Custava ensinar os bichos a comer e a voar logo? Mas nada, ela ficou ali mais tempo do que comumente elas demoram pra cuidar das suas crias.

A mistura de dó e nojo é uma das sensações mais estranhas que já experimentei.
E o nojo juntou-se ao medo quando descobri a infinidade de doenças que elas podem transmitir.

Consegui há poucos minutos fazê-las sair da minha janela. Há dias pensava nisso, mas tinha de dó porque imaginei que elas morreriam. Que nada, as safadas agora vão perturbar meu vizinho de baixo, argh!

Publicado em 09 de maio de 2006 às 14:35 por gabi

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