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Archive for May of 2006

mais bobagens

May 31, 2006





the verve é o lugar mais tesônico do universo
(And Im a million different people from one day to the next/I need to hear some sounds that recognize the pain in me).




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a banheira vazia de um motel é o oposto mais sublime da solidão.




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Palmas para a enquete estúpida do dia: o que faz você realmente gostar de alguma coisa?
a) a forma?
b) o cheiro?
c) a memória?
d) a historinha?
e) a piração?
f) a putaria?
g) a nostalgia?
h) a sabedoria?






Feirona virtual

May 26, 2006



somos todos marketeiros inocentes. redatores de publicidade, sem nunca termos sonhado com isso.
cada blog do Tipos tem um tipo diferente de propaganda do google.
sério! juro, verdade.
acho que vocês já devem ter percebido.
o meu blog, evidentemente, tem um banner de uma clínica psicológica.
o do briguet, linka para medicamentos contra dor crônica.
o do ygor, para lojas de flores.
o do grota vende indiretamente equipamentos eletrônicos.
a ester, tadinha, vende teologia.
o do Moraes é um caminho para sites de registos e domínios virtuais.
e a lista é interminável de relações indiretas e diretas entre assunto abordado e produtos vendidos.
eita ferramenta inteligente!
e a gente continua aqui, tentando nos comunicar e divertir enquanto o mundo nos usa para comprar e vender, como sempre.
vai vender bem assim lá na câmara dos deputados!

A Cidade

May 18, 2006






A matéria que me soterra nesta noite é a mesma que me faz sempre suscetível.
Porque meu nome é vida que pulsa, é aquilo que se sente, se explode, se pensa através dos sentidos e do abismo que mora no oco do peito, na fenda da mente.
A vida que ganha com a intensidade da insanidade a capacidade de ser pelos sentidos, de existir assim.

E você, a calmaria serena.

Pra quê?
Para ser sempre razão, sempre a ponderação falaciosa.

Então, a obrigação positivista de progresso tecnológico higienista recombina os caminhos das ruelas, avenidas, ruas e becos e me impõe um quinquilão de toneladas de substância sufocante.

Eu sinto o mundo de espelhos, por mim e por você.

Esta equação louca é o que você acostumou-se a chamar de vida, e eu, de morte.

Pois eu tenho morrido, toda manhã é um sepultamento.
Por que a vida que eu guardo são os versos em que eu me quis viva, e no ato de guardar eu elaboro um esconderijo secreto tão fundo como nunca eu cavei.

Meu refúgio sou eu.
O lugar submerso.
A rima paupérrima de se mostrar no espelho invertido.

É este o meu presente:
o reflexo da miragem,
o avesso de mim,
o oco daquilo que eu nem sei mais.

(E esta merda toda é sempre uma coisa que se parece com qualquer coisa que chamam sempre de marca feminina. Por que na coisa de ser feminino é sempre o buraco de ser masculino? É sempre o sensível? O subjetivo? O melodramático?
Mas o que eu sei das visões, cheiros e cores é sempre o trânsito fluido de gêneros, o ir e vir entre fêmea, macho, andrógino, poesia, prosa.)

Regenerar.
Gerar o inverso de si.
Esta é a máscara primeira da cidade.

Degenerar.
Esta é a persona, é a calcificação daquilo que se inventa para se estar vivo dentro dela.

(Eu não sei se é possível fakear o mundo por muito tempo.)

CASAMENTO MODERNO E MITO

May 13, 2006




O grande mito do casamento moderno é a crença da coexistência harmônica entre amor, sexo e amizade.

A ingenuidade coletiva que legitima esta face da mitologia moderna reside exatamente na crença de que a prática do sexo com o mesmo indivíduo resultaria em algo similar a respeito, afeto, companheirismo e segurança afetiva.
Entretanto, quanto mais tempo dois seres humanos permanecem ungidos a mesma cama, casa e conta bancária, menos sexo e amizade praticam; na mesma medida em que menos situações de felicidade e amizade experimentam, conforme comprovam os dados obtidos em pesquisas empíricas dos antropólogos da Universidade norte-americana de Indiana.

Entendendo-se como felicidade:
1) surpresas positivas
2) alívio

A confluência entre sexo, amor e amizade nutridos pelo mesmo indíviduo resulta em inumeráveis situações, entre as quais raramente se incluem surpresas positivas e alívio, como apontam os cientistas.

O mito do casamento moderno como construção eminentemente burguesa, que desbancou o mito do casamento medieval como sinônimo de matrimônio (cujo par semântico é patrimônio) trouxe menos liberdade ou felicidade imaginadas pelos primeiros burgueses.

Na conjunção de união sexual-social (matrimônio) ao status social e poder de aquisição de bens (patrimônio) alguns mercados se beneficiaram sobremaneira: psicologia, psiquiatria, indústria farmacêutica, indústria cinematográfica hollywoodiana, advocacia e empresas que investem em embalagens individuais.
Ou seja, se por um lado a instituição do casamento expõe um equívoco burguês, de outro, rende algumas dezenas de milhões de dólares.

Moral da história: a lógica burguesa sempre se adapta - mesmo que não faça sentido, faz dinheiro, que aliás, é o que realmente importa.

Pestes Urbanas

May 09, 2006



Há mais de um mês dois ovinhos pequenos apareceram na floreira vazia do meu escritório. Tá, tudo bem, eu pensei, eles são inofensivos.
Aí, duas semanas depois, veio a mãe que ficava sobre eles durante a noite, achei bonito o zelo dela e deixei-a se apossar do lugar.

Depois de alguns dias ela resolveu ficar ali o dia todo.
O barulho e o coco começaram a deixar de ser inofensivos.
No último mês os ovos viraram duas coisinhas pequenininhas e feias que rapidamente viraram duas pombas com cara de adultas.

Todo dia eu ia até a janela vê-las ficar maiores, diferentes.
Então o barulho cada vez maior e os cocos mais abundantes ficaram insuportáveis.

A mãe barulhenta e cara de pau alimentava as criaturas fazendo a maior algazarra do mundo. Quando o barulho era tão alto a ponto de me desconcentrar eu batia no vidro para ela parar. Mas como as pombas não são animais inteligentes, apesar de muito bem adaptáveis a quaisquer ambientes, ela nunca mudou de atitude. Custava fazer tudo sem berrar? Custava ensinar os bichos a comer e a voar logo? Mas nada, ela ficou ali mais tempo do que comumente elas demoram pra cuidar das suas crias.

A mistura de dó e nojo é uma das sensações mais estranhas que já experimentei.
E o nojo juntou-se ao medo quando descobri a infinidade de doenças que elas podem transmitir.

Consegui há poucos minutos fazê-las sair da minha janela. Há dias pensava nisso, mas tinha de dó porque imaginei que elas morreriam. Que nada, as safadas agora vão perturbar meu vizinho de baixo, argh!