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Archive for April of 2006

a tarde em porto alegre

April 17, 2006


a imensidão de contrastes cala o lirismo descritivo de qualquer cidade.

contemplar talvez seja a forma mais poética de escrevê-la.


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o adoçante que eu acrescento ao café expresso vai eroticamente até o fundo da xícara. se dissolve nas reentrâncias moleculares da cafeína.
Então eu abro o meu casaco com a lentidão precisa da lascívia.
Liberto minhas vísceras e meu peito para sentir o vento gelado que beija as paredes dos edifícios centenários.
Cá estamos, o café e eu, nos arreganhando para o mundo entrar!

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sorvo a água de dentro do cálice. sou a borboletinha dos bares.

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as senhoras felizes parecem sempre mais felizes. acho que é porque a felicidade é obrigação da infância; e a rabugice, da velhice.

os versos do meu poeta para minha cidade

April 08, 2006




XXI (aos amigos mortos)

Gadêa... Pelichek... Sebastião...
Lobo Alvim... Ah, meus velhos camaradas!
Aonde foram vocês? Onde é que estão
Aquelas nossas ideais noitadas?

Fiquei sozinho... Mas não creio, não,
Estejam nossas almas separadas!
Às vezes sinto aqui, nestas calçadas,
O passo amigo de vocês... E então

Não me constranjo de sentir-me alegre,
De amar a vida assim, por mais que ela nos minta...
E no meu romantismo vagabundo

Eu sei que nestes céus de Porto Alegre
É para nós que inda São Pedro pinta
Os mais belos crepúsculos do mundo!...

mário quintana lido aqui em porto alegre tem gosto de chocolate comido na própria fabulosa fábrica de chocolates de willy wonka.

coxia-bastidor

April 03, 2006







branco e sombra são tentações incontroláveis para fotógrafos tarados por contraste.




os animais de metal são sempre alegorias baratas da modernidade.





antes de entrar no palco e ao sair dele, a gente finge ser ator e diretor, mesmo que seja num diálogo sem vozes.



e no palco vem o medo do diretor, o personagem que ainda nem nasceu e a câmera que recorta a cara e resignifica tudo.




e ele olha, ah olha, impetuoso e sábio.




sugere, orienta, e aponta. e não é que dá certo sempre!




e o medo de se ver na tela. ai, que medo horroroso de ser feio, falar errado, ser incompreendido. mas foda-se, a gente se deixa filmar pra isso, não é?




o diretor a a atriz na escuridão da coxia-bastidor.




aqui a aura do frança, linda e bela.