Archive for January of 2006
Jornalistas no Yogurt
January 25, 2006Se você é jornalista, ganha bem e é feliz, entre para ver os seus pares que sofrem com o estrangulamento de um mercado bem cruel e cada vez mais enxuto.
Se você acha que trabalha demais e ganha muito pouco, entre para reclamar, terapia virtual é de graça.
Se você não tem nem emprego, mas se vira com freelas, ou nem freelas consegue pra fazer uns trocados, adicione-se na comunidade Fiz jornalismo e me fodi do orkut.
Descanso para ventiladores
January 23, 2006

A chuva é o que finalmente chegou, depois de dias infernais.
--x--
O medo é um abraço de urso no ócio físico e mental.
--x--
A angústia é um prato feito com duas carnes para a solidão.
--x--
O ronco é a lembrança do casamento.
--x--
A conta de condomínio é a compaixão compulsória pelo chefe.
--x--
A sacada é a saudade da casa; a ressaca, do êxtase etílico.
--x--
A insônia é a cretina que obriga posts idiotas.
Mudança
January 23, 2006

pintar de branco os móveis.
empacotar os livros, as panelas, os pratos, o espelho, os sapatos, o shampoo.
carregar máquina de lavar, cama, mesas, cadeiras, cômodas.
embalar quadros que eu nem gosto mais.
carregar tudo pra mais perto de algum outro lugar.
nem sei qual é o cotidiano ou a altura dos interruptores, mas eu vou.
ontem à tarde
January 20, 2006

- alôoooooooooo.
- pois não?
- quem tá falando?
- como “quem tá falando”? para onde a senhora ligou?
- eu liguei ai, oras.
- e o que a senhoura quer aqui?
- chama o zé.
- senhora, isto é um engano, aqui não tem nenhum zé.
- como não? chama o zé da paróquia aí.
- senhora aqui é uma residência, nao uma filial evangélica.
- aí não é a paróquia?
- não, e se fosse eu não estaria aqui.
- mas o zé pediu pra avisar na hora da missa.
- minha senhora, isto aqui é uma residência de ateus.
- humpf.
(silêncio)
ah, tá.
(silêncio)
obrigada então
Da teoria a a pratica (ainda sem acentos)
January 16, 2006

Hoje nao sou marxista, mas era quando tinha 15 anos,
com direito a Guevaras nas paredes e Marx no coracao utopico.

Depois virei modernista, quando rasguei e joguei tudo fora e sai pelada pelas ruas gritando que a arte nao existe.

Depois comprei carros, apartamentos, visons e comecei a consumir Lars von Trier, kubrick, pop arte e moveis da Tok Stock, ai, virei pos-modernista.
fim
January 13, 2006
terminar um livro eh uma auto-sacanagem.
ninguem deveria ir ate a ultima pagina, sob pena de ficar preso enternamente na narrativa.
pior que acabar um livro eh ficar orfao de autor depois que se leu tudo que foi
escrito por um escritor morto.
ninguem deveria ir ate a ultima pagina, sob pena de ficar preso enternamente na narrativa.
pior que acabar um livro eh ficar orfao de autor depois que se leu tudo que foi
escrito por um escritor morto.
January 11, 2006
:: Morpheu ::
January 11, 2006

Morpheu trump
olhos
caf'e pretinho tilinta
estomagos
cafeina zastras
cerebros
agua tchabum
corpos
olhos
caf'e pretinho tilinta
estomagos
cafeina zastras
cerebros
agua tchabum
corpos
a foto que eu nao vou mostrar
January 10, 2006

eu queria escrever sobre uma por'cao de coisas que eu tenho guardadas aqui 'o
mas a unica imagem que me inspira eh a das nuvens que pintaram meu ceu de rosa pink no final desta tarde cansativa.
queria mostra-las, mas acho que o ceu que voce esta imaginando agora deve ser bem mais rosa e intenso do que aquele que a minha memoria congelou.
eu fiz umas fotos dele, deste meu ceu sem acentos descritos por um computador nao formatado.
a proposito, o ceu eh uma bruta sacanagem pra quem quer se manter sao, terreno, pragmatico e reto do lado debaixo de onde os cometas se atiram em planetas e a materia se refaz em trocentas cores que nenum pintor ousou usar.
e a vidinha nossa besta se vai, esvai na tentativa de sobreviver as maravilhas que o ceu compoe.
a gente acha que ela (a nossa vidinha) se refaz, mas nada disso, sao sempre os mesmos ciclos elicoidais
que as coisas criam e a gente se mete a tentar desvendar ou imergir.
o sol que se foi rosa pink era tao perfeito que me pareceu brega.
as minhas fotos certamente estao tao piegas quanto paisagens de papel de parede bucolico dos anos 80.
talvez o destino de toda beleza eh se tornar um cliche desgastado, guardado e rasgado
em algum cartao postal dentro de uma gaveta lotada de memorias virtuais.
:: Paraty ::
January 04, 2006
No Rio de Janeiro, como no resto do Brasil, a chuva abraça, cobre e encobre a paisagem linda.
A água que despenca intermitentemente é uma tentação para se trancar no quarto pequeno da pousada, mas as ruelas antigas de Paraty me chamam, e eu obedeço.
A água que despenca intermitentemente é uma tentação para se trancar no quarto pequeno da pousada, mas as ruelas antigas de Paraty me chamam, e eu obedeço.