se-edificam no silêncio da magrugada versos que imitam o minuano.
é o plágio paranaense dos sons dos ventos da infância.
são sequências dodecafônicas que esbarram nos vértices dos prédios.
londrina uiva a noite insone.
o estrondo prenuncia o dia?
nada, estrondo anuncia outro estrondo, e este outro, e o outro, mais outro.
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você não sabe uivar, como a cidade, então dorme as horas dos justos.
sonha com piscina de bolinhas plásticas multicolorias, com um hotel escondido nas dunas maranhenses, com uma loira bem peituda que se oferece em viscosidades na parada do ônibus.
você oferece carona para o ermo da sua ardência.
ela fecha a blusa e te nega. negar, em sonho, você pensa, isso é sacanagem demais.
então anota a placa do carro da frente para transformar
a frustração em números para ser o novo rico de Londrina vencedor da mega sena.
sobe então a av. higienópolis e estaciona em frente a uma boate vermelha com luzinhas brancas.
dentro, o papai noel.
ele coloca você sobre o joelho esquerdo e pergunta se é ou não um bom menino.
você pensa em mentir, tenta lembrar alguma frase de efeito, resolve citar Foucalt, desiste.
rouba num estalar de dedos o saco de balas e sai correndo da boate escura.
a rua está deserta.
londrina uiva a noite insone.