É armadílha infalível.
Carlos tentou fugir dela.
Lia gibis, depois revistas pornográficas, depois Tolstoi.
Depois conheceu cognacs, maconha, cocaína.
Então teve um parceiro ideal para elas: as horas labirínticas.
Desenhava-as em fileiras mínimas branquinhas sobre a mesa de vidro da sala devidamente desinfetada com álcool e fósforos.
Então aprendeu a fechar as cortinas e fabricar
sua madrugada infinita-particular.
Esta era festa perversa sem convidados.
Encontraram-no há 4 dias, às 15 horas de uma tarde luminosa.
Seu corpo branco, esquálido, deitado sobre o tampo sem germes encontrou pela última vez o sol apino dos trópicos.
Publicado em 14 de novembro de 2005 às 04:55 por gabi