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Archive for November of 2005
November 27, 2005
Minha nova paixão: o crítico, escritor e artista plástico Almada Negreiros, tão modernista quanto atemporal!
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A gripe me pegou, abraçou e parece estar bem apaixonada - não desgruda de mim.
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Cidade de Deus e os extras tiraram meu sono, como sempre.
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Achei intactata minha lista de metas para 2005.
Guardei-a, talvez uma década me ajude a ter coragem de encará-la sem
vergonha ou auto-piedade.
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Eita ano rápido, meu deus.
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November 21, 2005
a saudade é maldade cretina,
deveria ser grafada com L
saldades - feita de sal!
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November 18, 2005
Quantas vezes você repete pra si mesmo as mesmas e velhas perguntas bobas?
Muitas vezes, eu apostaria.
Quão melhor teria sido sua vida se tivesse controlado certas vontades,
quão mais rico você seria se não tivesse estudado jornalismo ou qualquer outra coisa da área de Humanas. Quão mais saudável seria se deixasse os vícios e fosse
corajoso o suficiente para assumir conseqüências e não apenas lamentá-las.
Quanta gente ainda estaria na sua vida se você fosse menos cretino ou quantos amores mais sinceros teria se conseguisse ser menos ansioso ou tarado.
Mas, não. Não adianta se perguntar sobre as incapacidades.
Talvez assumir sua humanidade e falibilidade fosse menos doloroso.
Mas foda-se.
Você vai continuar cultivando velhos hábitos ruins mesmo, talvez até amando quem não deva ou mereça e sendo tão impulsivo quanto egoísta.
Isso tudo, porque você nunca foi às últimas consequências, nem deveria.
Se tivesse ido, se tivesse cumprido seus planos pelo menos até a metade, a história seria outra, e você no fundo, nunca quis isso. Quis tudo que fez, eu diria. Fez tudo que quis.
Eu apostaria também que você tem menos memória e paciência do que queria ter, menos dinheiro e mais tecido adiposo.
Mas enfim, você é só o peãozinho das suas vontadezinhas deste mundinho, como escapar?
Talvez se fosse tudo linha reta, mas não, o caminho guarda um emaranhado de curvas sem placa.
Conselho?
Da próxima vez, não abra a Pandora.
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November 16, 2005
Três vezes ao dia, após as refeições mais generosas, Paula pingava 7 gotas de floral de Bach sobre a língua.
Rescue, heather e um monte de nomes engraçados marcados na bula do remédio.
A moça era meio ansiosa e as gotinhas com gosto de conhaque eram orientação do Dr. José Antônio para as mãos quedarem calminhas sobre os joelhos na hora das provas finais.
Paula estuda Odontologia e quer ter seu próprio consultório assim que se formar. Sonhos, pensa, mas sonhos são tudo que tenho.
A moça era, além de nervosa, tímida. Não escondia segredos ou neroses, mas ficava submersa naquilo que tinha (os sonhos) nas aulas monótonas de fisiologia e química.
Em dezembro Paula acaba de cursar os créditos, em fevereiro do ano que vem cola grau e depois vai para a festa acompanhada dos pais em um salão super bacana que ela demorou 3 anos para pagar.
Está fazendo dietas malucas desde fevereiro para enfiar suas carnes num vestidinho curto, cheio de furos que sua avó teceu com barbantes crus para combinar com o bronzeado planejado desde agosto.
Além das gotinhas amargas, o médico receitou calmantes para amenizar a angústia da moça que de uns tempos pra cá tem intensificado.
Anteontem, véspera de feriado, Paula foi a um bar com três amigos falar sobre planos e mal-dizer os colegas e professores chatos. Beberam algumas cervejas e tequilas.
A moça chegou em casa às 3h40. Suas colegas de apartamento lembram de ouvi-la abrir a porta da cozinha e ir direto para o quarto.
Paula não compareceu à prova de química desta quarta-feira . Sua caixa de calmantes estava vazia - foi a primeira prova que ela não fez, e a última.
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November 14, 2005
É armadílha infalível.
Carlos tentou fugir dela.
Lia gibis, depois revistas pornográficas, depois Tolstoi.
Depois conheceu cognacs, maconha, cocaína.
Então teve um parceiro ideal para elas: as horas labirínticas.
Desenhava-as em fileiras mínimas branquinhas sobre a mesa de vidro da sala devidamente desinfetada com álcool e fósforos.
Então aprendeu a fechar as cortinas e fabricar
sua madrugada infinita-particular.
Esta era festa perversa sem convidados.
Encontraram-no há 4 dias, às 15 horas de uma tarde luminosa.
Seu corpo branco, esquálido, deitado sobre o tampo sem germes encontrou pela última vez o sol apino dos trópicos.
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November 04, 2005
eu sou um círculo inserido num triângulo equilátero
na parte inferior de um vaso de barro fétido
sou buraco O+
frankenstein de imperfeições
criatura do Criador O->
holograma- fragmento-simulacro de uma diva hollywoodiana
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November 04, 2005
do lado de lá da janela há o espaço
feito de verdades evidentes
que se compõem entre teorias e lógicas binomiais.
dentro são trinonsensenômios efusivos de linguagem.
(ai, delícia é poder viver por dentro!)
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November 01, 2005
Uma das piores sensações que eu tive na vida me veio na tarde de ontem, desde quando meu corpo oscila entre 39,5 e 38 graus absolutamente só e incomonicável.
Alucinações, corpo tremendo, memórias de infância: experimentei um típico filme B bem filho da puta, pior, sem companhia para segurar minha mão, medicar, consolar ou explicar o que estava acontecendo. Não conseguia agir.
Não lembro de muita coisa, só dos flashes das alucinações, da tremedeira e de cantar e chorar feito maluca.
A sensação era de que minhas hemácias iam se desmineralizar e eu escorreria para o miolo do colchão.
(Se este post tiver um monte de erros, ignore-os, ou melhor, tenha-os como parte do meu estado ainda febril.)
E se tiver bom coração, aceito energias boas, preces ou o que sua religião puder oferecer.
Espero poder ter também eu uma boa semana.
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