A COR ILEGAL

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quando eu crescer eu quero ser rock star de uma banda bem underground pra poder vender milhões de discos por conta de uma indústria de jabás e entretenimento que eu iria amar criticar.

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quando eu ficar pequena de novo eu não vou querer ser adulta, vou ficar mais tempo na piscina, vou ler todos os livros infantis que eu não li, vou gastar todas as moedas com bala-chicletes, vou beijar todos os meninos gatinhos que eu não beijava porque era moça de família (qual não é?) e vou ter uma coleção de insetos.

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quando eu for adolescente de novo vou ser mais otimista, vou arranjar um emprego bem bacana que eu vou tirar de letra para poder sair da casa dos meus pais mais cedo e ainda ter uma carreira bem bacana e sólida. vou beijar só os meninos legais e não vou me apaixonar por nenhum babaca. vou saber contar até dez e respirar antes de atentar contra mim mesma. talvez eu conte aos meus amigos mortos por drogas ou acidentes babacas o futuro próximo que lhes aguarda. ah, vou tomar menos álcool e descobrir que metafísica é bem mais legal que manifestos políticos.

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quando eu for velhinha de novo eu vou ser casada com alguém bem especial que vai acordar bem humorado só pra perturbar meu humor matinal. vou ter um cachorro super inteligente que faz coco na privada, se limpa e puxa a descarga, vou ter dinheiro pra viajar com meu amor (eu ainda vou acreditar nele!), dar presentes pros netinhos e comprar todas as plantas pro meu jardim que quiser.

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quando eu tiver vinte e poucos anos de novo vou jogar menos sinuca, ser menos responsável, caxias e séria, vou fazer mais exercícios físicos, vou dançar horrores pelada no quarto, vou me achar menos burra, feia e ridícula, vou viajar muito mais - mesmo que seja pra conhecer a cidade vizinha - vou ser mais forte e bem menos medrosa.

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quando eu nascer de novo talvez tenha pais que precisem mais ou menos de mim, mas não serão os mesmos. vou ter irmãos mais parecidos comigo, ou não. talvez eu não nasça de novo, talvez sim. não sei se eu posso ou quero, e pensar nisso dá uma espécie de medo, porque pra pensar em nascer de novo, preciso pensar que vou, inevitavelmente, deixar de existir.

Publicado em 22 de outubro de 2005 às 03:19 por gabi

Comentários

  1. pbriguet
    • Com este corpo aí de cima você vai ser a Geni que salvou a vila do Zepelin.
    • por nicodemos
    • 22.Out.2005 às 19:07 - Permalink - Reportar
    nicodemos
  2. tanga
    • C/esse texto, vc trnsmitiu-me lembranças de um pensamento,que até então,estava oculto aqui bem dentro de mim.
    • por cissaalencar
    • 07.Nov.2005 às 15:56 - Permalink - Reportar
    cissaalencar
    • Te achei por acaso e adorei td q li aqui!! Parabensa, mesmo!
      Bjos
    • por
    • 09.Dez.2005 às 08:33 - Permalink - Reportar
    6ae32e37047f841106fa5833d58c7834?s=80&r=pg&d=monsterid
M.U.L.T.I.G.R.A.F.I.A.S.
muitas formas de escrever a cidade

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