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Archive for October of 2005

Um post choroso para que você tenha um semana feliz

October 31, 2005

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se tem alguma coisa que vale
não são as notas que nossos professores nos deram
nem que nossos chefes depositaram nas nossas contas.
se tem alguma coisa que vale a pena é ver que o tempo
não é o senhor perverso que separa e envelhece,
mas o amigo que nos traz gente pra rir junto, de risada boba e sincera,
gente que nos quer em abraços e esperanças.
quem nos golpeia, mesmo que more dentro - entre o ID, o ego, o superego e a memória -
não vale a pena.
quem falseia um bom dia, uma saudade e uma amizade ou amor não ficam,
quem vale, o que vale a pena nos é dado de graça.
nos é presenteado com papel celofone vermelho no dia das mães em forma de
porta-retratos feito de sucata bem feio, mas arrumado com mãos de quem nos ama.
o que vale a pena nos vem na flor mais comum roubada no meio da lama,
no cartão-postal de bem longe, no e-mail curto e cheio de beijo.
o que vale a pena vem de dentro do chacra do coração, aquele que nos
avisa na primeira mirada quem amamos e quem nos é sincero e eterno.
a eternidade não é imóvel,
eterna é a mobilidade
“o que Deus quer é movimento”
o que vale a pena é movimento.
é toda a coisa estranha que se faz em amor e se manifesta do jeito mais óbvio, brega e singelo.
uma semana de amor fácil e risonho é tudo que eu quero pra você que me Lê.

:: quem vai apagar a luz?::

October 22, 2005


Quanto mais rápido o tempo passa mais difícil fica morar perto dos amigos queridos e aumenta o número daqueles que vão para outros cenários.
Eu fiquei em Londrina, e eles se foram pra São Paulo, Curitiba, Berlim, etc........
Esta noite sonhei que eu tinha mudado para Curitiba. Foi uma mudança compulsória, eu abri os olhos e estava lá. Sai de casa enrolada numa toalha verde, não sei porquê. Ai caminhava pela madrugada curitibana tão feliz, tão feliz, mas tão feliz de ter me mudado e, mesmo que eu não conhecesse uma viva alma de lá, estar em outro cenário era a felicidade genuina.
Acordei entendendo que meu coração precisa disso, que por aqui minha alma não quer mais ficar, acho.

October 22, 2005
quando eu crescer eu quero ser rock star de uma banda bem underground pra poder vender milhões de discos por conta de uma indústria de jabás e entretenimento que eu iria amar criticar.

++++++++++

quando eu ficar pequena de novo eu não vou querer ser adulta, vou ficar mais tempo na piscina, vou ler todos os livros infantis que eu não li, vou gastar todas as moedas com bala-chicletes, vou beijar todos os meninos gatinhos que eu não beijava porque era moça de família (qual não é?) e vou ter uma coleção de insetos.

++++++++++

quando eu for adolescente de novo vou ser mais otimista, vou arranjar um emprego bem bacana que eu vou tirar de letra para poder sair da casa dos meus pais mais cedo e ainda ter uma carreira bem bacana e sólida. vou beijar só os meninos legais e não vou me apaixonar por nenhum babaca. vou saber contar até dez e respirar antes de atentar contra mim mesma. talvez eu conte aos meus amigos mortos por drogas ou acidentes babacas o futuro próximo que lhes aguarda. ah, vou tomar menos álcool e descobrir que metafísica é bem mais legal que manifestos políticos.

++++++++++

quando eu for velhinha de novo eu vou ser casada com alguém bem especial que vai acordar bem humorado só pra perturbar meu humor matinal. vou ter um cachorro super inteligente que faz coco na privada, se limpa e puxa a descarga, vou ter dinheiro pra viajar com meu amor (eu ainda vou acreditar nele!), dar presentes pros netinhos e comprar todas as plantas pro meu jardim que quiser.

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quando eu tiver vinte e poucos anos de novo vou jogar menos sinuca, ser menos responsável, caxias e séria, vou fazer mais exercícios físicos, vou dançar horrores pelada no quarto, vou me achar menos burra, feia e ridícula, vou viajar muito mais - mesmo que seja pra conhecer a cidade vizinha - vou ser mais forte e bem menos medrosa.

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quando eu nascer de novo talvez tenha pais que precisem mais ou menos de mim, mas não serão os mesmos. vou ter irmãos mais parecidos comigo, ou não. talvez eu não nasça de novo, talvez sim. não sei se eu posso ou quero, e pensar nisso dá uma espécie de medo, porque pra pensar em nascer de novo, preciso pensar que vou, inevitavelmente, deixar de existir.

você sabe o que é metade de um adeus?

October 20, 2005

ela.
era ela tudo que me bastava, por dentro, por fora, de todos os jeitos.
infeliz e feliz - era ela a ordem que meu caos queria sempre (e ainda quer).
não sei mais traçar os passos, porque todos eles se voltavam para perto dela.
e agora?
em mim alguém que se quer forte, inteiro, corajoso.
em mim o que se tem frágil, torto, solitário.

ah, malldita crise de nunca ser completo!
maldito eu, você e todos os santos que não rezam a lógica de extremos.
eu vou me fazer de máscaras, de ilusões e de cópias miméticas,
pra daqui 100 anos eu poder te odiar ou só respeitar.

meu, deus, que parte desta história eu perdi?
em que capítulo eu fui sombra e você protagonista?
onde eu perdi meus sentidos e você ganhou forma e força?

foda-se.
foda-me.
fodam-te.

eu quero a paz do meu quarto e dos meus bichos.
o resto?
ficção.

das impropriedades do relógio social

October 18, 2005



eu sofro de um hábito ou patia que me deixa acordada até o dia clarear e me faz dormir na hora em que a maioria das pessoas almoça.
são sobretudo horas inúteis numa cidade que adormece cedo, quando quase tudo fecha nas horas pra mim impróprias.
o grande mal da insônia é a angústia, o grande bem, é poder ler no silêncio da madrugada ao ver o sol rasgar o leste.
eita, solidão, meu deus.

.:.das maldades de morpheu.:.

October 14, 2005



axioma supremo de temores-reflexos, o pesadelo desta noite se mantinha sobre aéreas raízes a sustentar medos inconfessos.

fractal de sussuros da infância, de imperativos de mediocridade, pulsões sexuais e desesperos.

sua escritura era do corpo submerso de destroços.

criador-criatura da desordem coerente, a noite foi de
revelação compulsória das guerras entre o ser e o quer-ser na tragédia cotidiana indisolúvel entre potência e seu reverso.

o pesadelo é das imposições entre ficção e realidade, a mais perversa.

Where do You belong?

October 08, 2005


All I can tell is that I belong where people do not.
I belong to silent places, full pages, new books and goodness.
I belong where rage does not exist, where life is a matter of options and love is just as real as air.
Is it a complete madness?
Probablly yes, but not exactly.
I belong where time is a matter of lie, where birds are a matter of sounds,
where people sounds like a very deep fiction wich contains no line time.
Strange?
Not at all, just realize it, twice.

October 05, 2005
Hoje eu acordei três vezes com o som alto da minha risada. Acho que pela primeira vez na vida isso acontece, geralmente o que nos desperta são os pesadelos. Eu ria de coisas tão bobas que não queria acordar.
Mas quando eu virei a quarta-feira londrinense de hoje era só uma chuva e um céu cinza.

fotograma

October 03, 2005


o dentro e o fora estão nesta foto. a rua mato grosso, a casa de cultura.