você respira um ar de sexta-feira
feliz-feliz
porque o pouquinho de ócio vem,
porque amanhã é a humanidade recomposta no bar,
no programa repetido da TV aberta.
o ar leve do espetinho do boteco prepara as avenidas
é a vida que se esvai nas marchas do carro, no ônibuslentooo.
é o andar pra casa com o laranja das 18h.
é a solidão do banho quente, do sabonete líquido,
do segredo sólido.
e lá foi a semana.
você é o pulmão cheio pra dizer:
foda-se.
é o tempo que era, o que é é o que é importante,
e cozinha no microondas, compra vinho, gasta 5% do salário em telefone.
esses os luxos que você se dá, e precisa de mais?
Archive for July of 2005
o que mais?
July 29, 2005TIPOS NO ORKUT
July 28, 2005
Quanto tempo por dia a gente fica no MSN, lendo e-mail e relendo o Tipos?
E tem a nova mania do Orkut, mais conquistador que a época implacável do pogo-bal laranja e amarelo ou verde-limão e roxo.
Bem, vamos juntar prazer e mania?
Para participar da comunidade do TIPOS no ORKUT
adicione Tipos.com.br.
coisas que dão aflição:
July 23, 2005*ouvir cada vez mais gente querendo a ditadura como solução para a corrupção.
*se apaixonar pela pessoa errada.
*não ter auditoria/ouvidoria/0800 para denunciar absurdos das universidades públicas, como professor que recebe acréscimo de quase 100% de salário para ter exclusividade de trabalho mas também dá aulas em faculdades privadas, ou não mora longe e não atende os alunos como deveria.
*chefe que conta piada infame.
*celular no melhor momento da foda.
*não ter auditoria/ouvidoria/0800 para denunciar as barbaridades que todo mundo sabe que acontecem na política.
*esperar a comida quando se está faminto.
*jornalista com preguiça ou medo de denunciar o que sabe, que escreve sobre datas comemorativas e releases e não vai às ruas ou investiga as falcatruas que existem (e ele sabe) na editoria que cobre.
*gente muitíssimo bem informada que expõe outras trepando sem camisinha.
*pensar na morte.
*ter uma boa idéia roubada.
*gente que vive encostada no poder público pra viver de cultura.
*ver alguém sofrer.
*empresa que não registra, não paga o piso e se acha no direito de exigir a alma do funcionário.
*filme dublado.
* ser traído.
*tempo livre demais.
*tempo livre de menos.
*trabalhar feito camelo o ano todo e não ter grana para conhecer um pedacinho do País sequer.
*um livro custar 30% do salário mínimo.
*disputas sádicas entre auto-destrutivos: quem já bebeu mais, quem já usou drogas mais pesadas, etc...
*ficar semanas sem conversar com ninguém.
*não entender.
Tem coisas mais aflitivas que estas?
pra te dizer que eu tenho saudades
July 19, 2005
é uma madruga insone que eu tenho com Coldplay que me deixa assim, triste, solitária na tua casa.
são as tuas coisas que cada vez mais são objetos da minha história.
eu não lembro de ter te convidado para esta festa-pesadelo.
tampouco lembro de seu convite.
mas é daqui de dentro das tuas paredes que eu falo, arrumando tua sala, lendo teus livros, plantando folhas verdes, sentindo
o cheiro das roupas, operando teu microondas e tua máquina
de lavar velha que não seca as roupas.
parece que foi ontem que eu cheguei até aqui, mas não foi.
é isso que me comove tanto em literatura e na vida, no fundo tudo que não se entende a gente chama de ficção, não é?
mas tudo que é vivo e pulsa é ficção, é madrugada, é solidão e saudade.
nestas coisas todas da tua casa-quarto tem uma Gabriela tão-ela. com um pouco da serenidade que a ficção obriga pra conseguir ler mais e viver mais, porque sem sobriedade e coragem a vida me
leva para o vótice do abismo, você sabe.
e se eu fechar os olhos, com ou sem Bach,
é para lá que os fantasmas me levam acorrentada.
mas eu luto, você sabe.
tenho lutado, apagado as marcas dos pulsos,
suprimido os urros na beirada das janelas suicidas,
respirado nos intervalos de sobriedade.
tenho andado dentro dos livros, um degrau por capítulo.
me faz ver uns céus bons, longe.
estranho te esperar aqui,
dentro dos teus labirintos tão simples
com placas indicativas para a saída.
espero de dentro do meu labirinto
sem começo, sem fim, só labirinto.
Porque hoje é a ressaca de ontem, sempre
July 11, 2005
Talvez seja o medo de tantas porcarias que estragam o corpo.
O desespero de ficar sozinho sábado entre às 18h, 2AM e a 13a. Saudade de quem não liga pro fixo nem pro celular.
Talvez seja a rotina branda, branca, suave que te acerta em agudo na testa, e você adora e adorna com balangandãs eletrônicos.
Talvez seja a conta cara do celular, o dinheiro que sobra e depois falta, o chefe que sorri e depois ironiza.
Talvez seja a preguiça de ler sobre tanto mecanismo miraculoso de desvios de ideologias feitas com ímpetos tão antigos quanto o stalinismo, defendido com a imoralidade simples de um terno caro, uma amante cheirosa e o poder de poder, ai, delícia que embala os maiores cretinos e os menores competentes.
Talvez seja a falta de uma pauta razoável e de paciência pra pensar no não obvio, porque a rotina e o calendário viciam, não?
Talvez seja só a falta de tesão ou a ausência de um pinto ou uma buceta, não?
Ou então, talvez seja só saudades de colo, de um baú cheio de fotos infantis e certezas autônomas que puxem pelas mãos e levem por onde você tem que ir pelo simples fato de que tem que ir.
Talvez seja mais medo ainda, muito mais, soterrado dentro de um você que eu não pergunto, mas não temo e até gosto.
Talvez porque nas segundas-feiras os botecos estejam mais vazios, a conversa mais atrasada e as contas idem.
É possível fazer arte sem grana
July 04, 2005
pelo simples prazer de fazer de tudo que se sente e pensa um objeto pra alguém que, mesmo que você não conheça, merece ver, sentir e saber?
Vale a pena?
Não sei responder nenhuma das perguntas, não mesmo.
Mas uma idéia de anos, aos poucos toma forma, corpo, cor, figurino, iluminação, roteiro, câmera, edição e vai nascendo assim, bem devagarinho.
Tomara que seja um bom parto!

Ação

Sobre que queremos falar? Sobre a razão mais conflituosa de existir: o amor e a dependência X identidade.




Cláudio é um cara de certezas e melancolias soterradas. Contra ambos os problemas ele ingere diariamente uma dose única de felicidade química.

Cláudio e Bárbara já foram felizes. Será que ainda são?
Vale a pena?
Não sei responder nenhuma das perguntas, não mesmo.
Mas uma idéia de anos, aos poucos toma forma, corpo, cor, figurino, iluminação, roteiro, câmera, edição e vai nascendo assim, bem devagarinho.
Tomara que seja um bom parto!

Ação

Sobre que queremos falar? Sobre a razão mais conflituosa de existir: o amor e a dependência X identidade.




Cláudio é um cara de certezas e melancolias soterradas. Contra ambos os problemas ele ingere diariamente uma dose única de felicidade química.

Cláudio e Bárbara já foram felizes. Será que ainda são?