A COR ILEGAL

introdução compulsória

para viviane mosé




O poema, mais que os quadros, me cutuca na hora (in)exata.
circula com canetinha marca-texto as formas da rua que pretende retratar, captura-as e guarda.

o poema sobe e desce como os calorões da menopausa, me cochicha um zumzumzum em todas as horas, sobretudo as inoportunas.

debaixo das séries infinitas sobre teoria literária que meus olhos percorrem, o poema salta e dá murros no ar para reter minha atenção.
tem hora que ignoro,
tem outras que ele é que ignora.

o poema é quase sempre egóísta: me dá para me tomar em dobro.
me entorpece e depois foge, qual sexo fácil.

mas pidoncho, carente e egocêntrico o poema volta, me pede afago, beijo na boca, canção de ninar e putarias memoráveis.

eu cedo - ele é o canastrão mais sutil entre todos os latinos (vide neruda)
aí o poema me vira do avesso e me come com tanto gosto que,
ai, exijo mais.

então o poema silencioso vai-se,
deixa-me.
e quando por mim esquecido sob pena de sofridas noites solitárias
ele volta, me bulina e come.
(pra sumir mais uma vez)

Publicado em 14 de junho de 2005 às 13:25 por gabi

Comentários

    • que linda, ga. ñ te achei mais pra puxar papo... rsrsrsrsrs
    • por Carol Pasquali
    • 14.Jun.2005 às 16:11 - Permalink - Reportar
    Carol Pasquali
  1. lubru
M.U.L.T.I.G.R.A.F.I.A.S.
muitas formas de escrever a cidade

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