Para Manuel Bandeira
sou uma italiana que rebola o samba retinto:
rezo o que alma manda
menos por lógica,
mais por instinto.
filha de Iansã
sou a mulata mais branca de batismo cristã
que batuca no kharma do Rio, de Londrina e Amsterdã.
sou desta gente toda de olhos tão castanhos, de cabelos tão misturados
e alma indolor.
eu sou do paraíso tropical de medíocres poderosos,
da terra do darwinismo às vezes que seleciona o podre
que barbariza o pobre capaz.
mas eu sambo,
sambo sim!
porque isto eu sei,
tu sabes,
ele sabe,
nós sabemos,
e eles (mesmo regados ao mais caro wisky) sabem muito bem.