a tarde, a conta bancária e a sujeira mal-dizem o dia.
a louça suja na pia,
a poeira sob a cama,
o pigarro,
o copo com tinta usada até a borda imunda,
a tela incompleta,
o saldo vermelho,
as milhares de páginas pra ler,
o trabalho incompleto,
as mãos sujas de naquim,
o esmalte que descasca,
a saudade maltrapilha
estes os versos corrosivos.
esta é a maravilha de morar nesta casa de espelhos turvos.
esta é a serena obrigação que embala os pesadelos
cheios de sexo impuro e violência lacrimosa.
porque desdenhar a vida?
porque sim!
porque olhar para além?
existem outros fora do umbigo?
porque ser inverno de dias curtos?
porque ser epifania?
saudade é só vento, não te disseram?
presença é vento também, não sabias?
nem eu, nem Santa Tereza, nem Klossowski, nem Foucalt, nem
Rodrigo Grota , nem meu pai, minha mãe, meus irmãos e toda a corja de poetas e artista ocidentais sabiam.
cadê a salvação?
bem longe da cultura que tem um Deus moribundo depois de Nietzsche.
cadê Deus?
onde sempre esteve: DENTRO.
e a idéia de pecados e culpas que enojam os desejos e geram sempre a culpa dentro da culpa dentro dos erros?
é tudo pessimismo?
não, claro que não.
ainda tem mais uma multidão de desesperos apregoados em legiôes.
pera aí, que ainda tem muito mais.)