A noite é paulistana de fantasmas solitários.
E sei ser só e tento ser forte.
Tento ser reta na imprecisão das avenidas paralelas.
O ponto de fuga é cinza-magnético
Atrai para longe
e pára perto,
quase dentro.
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Anteontem eu tive Mário, Oswald, Milliet nas mãos. Ontem tive a genética tarsiliana em frente aos olhos e coração.
Tenho a mais anacrônica das devoções!
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Encontrei Tarsilinha do Amaral em frente ao Museu de Arte Contemporânea da USP - MAC - às 10h40 da terça-feira.
Procurei os traços da pintora na genética daquela mulher radiante. Falamos do nosso amor comum pela Tarsila do Amaral e todas as suas linguagens.
Tarsilinha foi-me tão generosa com informações e disponibilidade quanto a Tarsila cronista é com seus leitores. Ela voltou para a especialização em Museologia e eu fui magnetizada para dentro do MAC.
Kandisnky, Tomie, Lhote, Tarsila, Aguilar, Picasso foram as minhas epifanias desta terça paulistana.
(É sempre dentro de salas frias cheias de cores que minha alma fica repleta de felicidade.)
Arte é minha matéria-prima!
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Da biblioteca da USP trouxe dezenas (e caras) páginas sobre Tarsila.
Os kg de papel eu comprimi contra o peito e zelei com afeto.
De dentro do MAC saiu uma nova Gabriela.
Quem ela é eu ainda não sei. Sei apenas o que e quanto ama. Sei também até onde se deve ir por amor.