A COR ILEGAL

traça ou detetive?

Não sei se sou uma traça, um detetive ou simplesmente uma entidade estranha. São horas fuçando em arquivos antigos, livros empoeirados e revistas de 1922.
O que eu investigo?
Um passado que nem de longe foi exaurido.
Sonetos, versos, casos homossexuais, taras, libertinagens e liberdades que fizeram da literatura produzida no Brasil tão maravilhosamente moderna e quase intragável pela gente de seu tempo.
Eu sou o detetive do passado que não quer respostas futuras.
Sou uma traça a procura de novas hipóteses que irão gerar outras novas hipóteses.
Sou a entidade estranha que desembolsa dezenas de reais para adquirir materiais produzidos por outras entidades estranhas.

***
A biblioteca é a casa do silêncio mais urrante que eu conheço.

***

Eu sentia saudades de S. Paulo.
A paisagem cinza já corrompeu minhas veias.
A vida aqui de certa forma acontece concentrada, para o mal, para o bem.

***

Sinto saudades dos meus amores londrinenses, que são poucos, mas me comovem: meu namorido, amigos, irmão, casa, poesia que me vem barata e a proximidade das coisas.

Publicado em 16 de maio de 2005 às 17:10 por gabi

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