Eu gosto mais daquele caqui vermelhíssimo, macio, saboroso. Mas como todos os caquis são muito calóricos, todos são gostosos. É a perversa natureza: é bom, então engorda! Deve ser um mecanismo inteligente para os homens primitivos, mas para gente toda sedentária das cidades contemporâneas, é uma crueldade.
Ah, o que me interessa nos caquis são as cores, não as calorias! O que me interessa em tudo, na verdade, são as cores.
Até os textos intrincadíssimos sobre a validade de crítica literária são cheios de cores.
Quando a cor é bonita
minha alma grita (em festa!)
Por exemplo: a menina que me vende cigarro solto na padaria da esquina é amarela, às vezes rosa. Minha orientadora é da cor dos caquis deliciosos: vermelho vibrante!
Meu irmão fica cinza e depois laranja. Meu cônjuge é um camaleão de tons.
Meu amor tem fases: tem dias PB e muitos verdes.
O cara que me deu aula de grego é branco, branco, branco. Minha casa é bem azuladinha.
E eu? Não sei dizer, é difícil ver-se de dentro de uma palheta.
Isso acalma minha alma!