Eu sofro (este é o verbo exato!) de uma enfermidade que se chama
transtorno bipolar do humor.
Mas que coisa é esta que eu nunca vi mais gorda? É a variação - causada pela incapacidade de origem genética dos neurônios em recapturar certa substância - que causa depressão e euforia, ocasionando, em geral, grande incapacidade de adequação ao mundo, colocando muitas vezes os indivíduos em situações de perigo.
O meu caso não é dos mais graves - mas exige uma medicação específica. Já utilizei muitos medicamentos - indicados por médicos desatualizados, desinformados e irresponsáveis - que me faziam tremer as mãos, ficar impossibilitada de dirigir e até entrar em estado de mania por muito tempo, que, grosso modo, é uma espécie de ansiedade intensa, que não permite que uma tarefa seja finalizada para que outra seja executada, que gera descontroles, angústia, atitudes extremas, exposição a situações de risco, etc...
Há cerca de um ano decidi procurar (depois de muitos meses conseguindo me manter viva, feliz, equilibrada e pulsante), uma orientação profissional porque não estava conseguindo lidar com os fatores externos (como falta de uma rotina bem determinada e falta de dinheiro porque não conseguia uma fonte de renda, o que me deixava mal, insegura, com baixa-estima e me deixava menos segura ainda para procurar emprego - aí o ciclo vicioso de coisas ruins) e há quase um mês não conseguia sair de casa.
A psiquiatra me explicou que meu problema, apesar da ciência não ser capaz de precisar com absoluta certeza, é meramente fisiológico. Meus neuro- transmissores são incapazes de recapturar a serotonina o que gera depressão, mania e alteração entre estes estados. Se um cardíaco toma remédio para o coração, porque eu não poderia tomar para o meu desequilíbrio cerebral?, pensei. Então tomei consciência disso (que não é simples quando se une psicologia, sentimentos, metafísica, auto-estima e psiquiatria) e passei a ingerir um medicamento que se chama Lexapro. Ele foi o único com o qual meu organismo se adaptou sem efeitos colaterais, me dando uma sensação de constância, não permitindo que eu recaísse me estados de mania e depressão. O tal remédio deve ser ingerido pelo resto da minha vida.
Claro que tudo na vida tem um preço. O meu processo de melhora custa-me caro. Caro no sentido financeiro mesmo. Mais de 100 reais a cada 28 dias, o que atualmente é inviável pra mim, é quase um quinto do que eu recebo. Além do valor do remédio, preciso consultar um psiquiatra, que me acompanhe e receite o medicamento, que acrescenta na minha conta de saúde mental pelo menos mais R$ 100,00.
(Este não pretende ser é um post de reclamação, de lamentação, mas sobretudo informativo.)
Eu consultava com a psiquiatra da UEL, que além de ótima era de graça. Pois bem, ela deixou a cidade e indicou colegas que cobram R$120,00 a consulta para dar continuidade ao tratamento de seus pacientes alunos da universidade e a UEL não tem liberação de verba para contratar outro profissional.
Para consultar um profissional de psiquiatria em Londrina, é preciso ir até uma entidade que fica quase fora da cidade, sem consulta marcada e esperar quase 5h na fila para ser consultado. (tempo que eu não disponho)
Para onde correr, eu infelizmente não sei.
Imagino que assim como eu, centenas de outras pessoas vivam experiências muito similares.
É o duro ofício de existir brasileira.
é mesmo muito tosco uma cidade desse tamanho ter tão pouca disponibilidade de especialistas de áreas tão necesárias e sérias.
a gente se fala. fique bem. beijocas,